Pedalando Pela Paz

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Perfil do Ciclista

 

Adilson Pedro María,

 

brasileiro, nascido dia 30 de julho de 1973  na cidade de Itajaí no Estado de Santa Catarina.  Eu, dei início o que se dizia inacreditável, corajoso, e até mesmo impossível para muitos.         

 

 

 

     

Em primeiro lugar, vou falar um pouco de minha história.         

     

Sou filho de policial militar, Pedro Maria e minha mãe, Cacilda Machado Maria, do lar.  Aos 15 anos, fui morar com meu irmão, Arnaldo Pedro Maria, na época comandante do Corpo de Bombeiros da cidade de Tubarão, e lá fui eu para essa cidade. Comecei os estudos de segundo grau no Colégio Estadual Henrique Fontes, e trabalhava no Clube de Campo Tubarão como boleiro, um anônimo catador de bolas de tênis.

 

Certo dia, ganhei uma raquete do Professor de tênis para quem trabalhava, Clóvis, conhecido como Coradinho, o qual me incentivou a começar dar aulas de tênis para crianças e seguir carreira nessa profissão. Como gosto muito do esporte, fui logo tratando de aprender a jogar e assim aprender a ensinar.  Logo ganhei dos meus colegas de segundo grau, Marcelo e Célio, ambos já treinadores de handebal, um livro contendo as regras do tênis e como jogar.    

 

Dia após dia fui gostando ainda mais do esporte, e então recebi um convite de um amigo e também Professor de Tênis, Melato, para dar aulas em Criciúma/SC, em uma quadra de tênis num bairro de classe média alta, cujo dono, Sr. Sinésio Volpato, estava a procura de um professor para ele mesmo, família e amigos. Abandonei os estudos de segundo grau e comecei minha carreira como Professor de Tênis em janeiro de 1991.

 

O sucesso foi bom, mas uma idéia interrompeu meu trabalho e eu decidi ouvir a voz do coração e abandonar tudo para viajar sobre uma bicicleta.           

 

Pessoas e Patrocínios

 

Essas duas palavras são fundamentais para o sucesso de qualquer evento, seja ele grande ou pequeno. Conhecer as pessoas certas nos momentos certos, é dar um grande avanço e  motivação para a elaboração e execução de um projeto.

    

Minha história começou em itajaí - SC, no verão de 1993, quando conversava com meu tio e com meus pais em casa. Numa dessas conversas foi que surgiu algo diferente, como uma idéia que poderia dar certo.

 

A idéia: "ir para os Estados Unidos de bicicleta assistir a Copa do Mundo de Futebol".

Eu sei que você deu uma risada, pois parece piada, não é mesmo? Claro que também pensamos isso, mas meu tio, Edmundo Antônio Bernadina, quem teve a idéia, estava falando seríssimo e insistia no assunto.

 

Numa linda segunda‑feira de sol, levantei disposto a expor a idéia a um órgão do governo. Então fui até a Secretaria de Esportes de Criciúma, cidade onde estava morando e trabalhando como Professor de Tênis naquela ocasião. Fui atendido por um simpático sujeito que se chama Cabuque, provalmente o Diretor de Eventos da Secretaria de Esportes. Fui lá apenas para perguntar se seria possível realizar uma viagem de bicicleta para os Estados Unidos, e saí de lá motívado com as palavras do mesmo, para que eu começara a elaborar um projeto de viagem bem como título e objetivo.

 

Projeto pronto, eu e meu tio provamos nossa capacidade física até mesmo com os exames médicos, gentilmente cedidos por minha ex-aluna de tênis, Dra. Jacqueline Alves. Mas nós não conseguimos nenhum patrocínio e a viagem ficou só no papel.        

    

Todo esse trabalho foi por água abaixo e acabamos frustrados por não conseguir. 

Mas você já ouviu falar que:

 “A pior derrota é a de nunca ter tentado”?

 

Pois é, logo então voltei pra casa de meus pais em Itajaí e comecei uma vida normal.   Consegui trabalho no Itamirim Clube de Campo, não como professor de tênis mas apenas como um simples auxiliar de serviços gerais. 

Aqui, um amigo Professor de Tênis que se chama Marcelo, soube que eu precisaria fazer um curso rápido para terminar o segundo gráu e me recomendou falar com seu aluno que se chama Castelo, um dos diretores do Sistema Unificado.

    Então consegui dele 30% de desconto nas mensalidades durante um ano para terminar os estudos.  Que bom heim?

 

Os amistosos da nossa Seleção Brasileira de Futebol chegaram e o sonho da viagem definitivamente foi embora.

Meu tio Edmundo já tinha desistido do projeto, e a única viagem que ele fez foi retornar de bicicleta para sua casa em Curitba desde Itajai que são 236 kilometros.

 

O último amistoso da Seleção Brasileira no Brasil, aconteceu por felicidade de nós catarinenses, em Florianópolis, e me veio a repentina idéia de ir de bicicleta desde Itajaí para poder ao menos ver a Seleção de perto.  

Como eu não tinha uma bicicleta adequada, enfretei e enfentei de verde e amerelo a minha monarc barra forte dos anos 80 e lá fui eu.   As pessoas que me conheciam duvidavam da minha coragem, então o Diretor Castelo me deu uma camiseta e um boné do Sistema Unificado e prometeu 50% de desconto na mensalidade se conseguisse êxito.   O meu patrão do Itamirim Clube de Campo, Sr. Hélio me patrocinou com uma corrente nova para bicicleta. 

O jogo aconteceu em 04 maio de 1994, mas antes no dia  primeiro, o mundo chorou e lamentou a perda de nosso Tri-campeão do Mundo de Fórmula 1, Ayrton Senna que veio morrer em um grave acidente de corrida no circuito de Imola na Itália. 

No dia do jogo eu acordei cedo, fui até o Itamirim Club de Campo e exatamente as 07:00 hrs, eu coloquei o pé no pedal da bicicleta para ir ao Estádio de Ressacada, o lugar do jogo.  Meus colegas de trabalho não acreditaram em minha coragem de fazer aquela viagem de mais de 100 km, mas lá fui eu.

   

Eu passei pelo centro de Itajaí, entrando na rodovia que liga a cidade de Balneário Camboriú, e entrando na rodovia BR 101 rumo ao sul.  Por conseguinte, eu peguei a única subida do morro do boi com 2,500 metros, e no alto da montanha, eu registrei uma imagem inesquecível, o litoral das cidades de Itapema e Tijucas.  Nesta cidade, eu parei para o almoço, e as pessoas que se aproximaram de mim, me perguntaram de onde eu vinha.  Então eu respondi que era de Itajaí, mas elas não acreditaram, isso porque era só 30 Km de distância entre as duas cidades.  Depois da pausa, eu peguei a rodovia novamente e as pessoas na estrada passavam com o carro enfeitado de verde e amarelo e businavam e gritavam:       

       _ BRASIL BRASIL....        

       Eu cheguei ao Estádio de Ressacada as 17:30 hrs depois de 120 km pedalados em 10 horas de viagem. Lá eu achei muitos torcedores com os variados modelos de roupas  para torcer por nossa Seleção, mas uma faixa preta  na bandeira do Brasil, marcou o luto a Ayrton Senna.  Como eu não tinha o dinheiro para a entrada, o jeito era esperar na entrada do Estádio a chegada da Seleção Brasileira e pelo menos ver os jogadores de perto.  Enquanto eu e mais alguns torcedores esperam por eles, em pouco tempo, eu já estava concedendo ao mesmo tempo, entrevistas para três repórteres, um com o gravador de fita, um outro repórter era do Jornal O Estado, o qual eu tive uma coluna na área de esportes no dia seguinte e um repórter da televisão de Rede Bandeirantes que me fez uma entrevista ao vivo para o Brasil inteiro.  Minha irmã e meu cunhado que moravam em São Paulo e não sabiam sobre minha viagem, viram minha entrevista e ficaram surpresos.  Pra fechar com chave de ouro estes instantes de fama, veio um cidadão anônimo e me presentiou com uma entrada para eu ver o jogo, e me conseguiu até um lugar para eu guardar a bicicleta.       

       Esse momento foi tão rápido que quando eu dei por mim, já estava dentro do Estádio.  Lá eu pensei comigo:       

       _ Pronto, não falta nada mais, consegui chegar aqui, tive meus momentos de fama e ainda vou assistir gratuitamente ao jogo.        

       Eu sentia a pessoa mais sortuda do mundo.  No meio do jogo, o Estádio inteiro gritava: Senna, Senna….

O placar não poderia ser melhor, Brasil 3X0 Islândia.  Terminado o jogo, tratei de pegar minha bicicleta e pedalar para a rodoviária de Florianópolis e pegar um ônibus de volta para Itajaí, porque eu teria que trabalhar no dia seguinte.

No Itamirim Clube de Campo, meus colegas me receberam com o orgulho por ter me visto na televisão e para eu ter feito o que disse. 

No Sistema  Unificado não foi diferente, o Diretor Castelo honrou-me pondo a reportagem que saiu no jornal em um mural no pátio da escola e cumpriu com o prometido.  Entretanto, o novo Diretor do Sistema Unificado e Professor de História, Sidney Silva, me presenteou com uma bolsa de estudos de 100% desconto na mensalidade até o fim do ano.  Fiquei realmente honrado por tudo isso.  Esses são momentos que sempre serão registrados em meu coração.

Daí por diante cheguei numa conclusão, que poderia tentar dar formação ao  meu curriculum como ciclista e reelaborar o projeto, não para a Copa do Mundo de Futebol, mas sim para as Olimpíadas de Atlanta 96.

 

Certo dia numa cerigrafia, estava conversando com o dono que se chama Cláudio sobre meu projeto de ir pedalando até Atlanta. Ele me motivou muito e me indicou ir conversar com uma pessoa amante de eventos esportivos e desafios, Engenheiro José Piccoli, para poder me ajudar na elaboração e execução do projeto.    Logo anotei o endereço onde o encontraria e fui nesse mesmo dia em seu escritório.    Quando lá cheguei, o encontrei muito ocupado mas me atendeu com muita atenção e gostou muito de meu projeto.   Em poucos minutos, o Engenheiro Piccoli me deu os primeiros passos a seguir, reformular o projeto e dar mais apresentação. Para isso também me indicou que eu fosse conhecer uma pessoa que ajudaria muito no que estivesse ao alcance, o Diretor de Artes e Folclore de Itajaí, sr. Acyr Osmar de Oliveira. 

 

O sr. Acyr, sempre me atendeu com muita atenção e participativo nas decisões a serem tomadas.   Juntos formamos o “triangulo amoroso”, quer dizer, tudo por amor ao esporte.   A etapa a seguir era dar início a algumas viagens de bicicleta que chamassem a atenção da imprensa e assim dar formação a essa palavra chave chamada “curriculum”.

Sabemos que a bicicleta é um veiculo de transporte, saudável e cultural.   Mas precisávamos provar que podemos ir mais longe em cima de duas rodas movida pela força de nossas pernas e pela nossa força de vontade.

 

Criamos o projeto “Volta a Ilha de Santa Catarina” realizada entre os dias 1 e 5 de dezembro de 1994, com o intuito de motivar a prática do ciclismo como lazer e transporte, ligando as 42 praias da capital Catarinense fazendo o mapeamento cicloviário.  Nesse evento, eu tive um companheiro do pedal, meu primo Leonel Hilário Maurici, de 26 anos.  Contamos com cobertura da emprensa e o patrocínio do Sistema Unificado, Hipermercado Vitoria, Ótica Corujinha do Vale, Rádio Naval e Esporte Center Agassi.

 

A Volta a Ilha foi um sucesso absoluto.  Leonel também estava disposto a me acompanhar na viagem para Atlanta e assim sempre falávamos à imprensa o sonho de realizar esse evento.  

 

Ano novo, vida nova, 1995 estava comecando e os planos da viagem de bicicleta para as Olimpíadas de Atlanta 96 estava tomando forma.   Nesse ano, voltei a dar aulas de Tênis em um Antigo Clube de Itajaí, Sociedade Guarany.  O Eng. Piccoli e o sr. Acyr sugeriram que fizéssimos mais uma viagem de destaque para nos tornarmos mais conhecidos.    Então aproveitamos que Curitiba esta logo ali em nosso Estado vizinho e que é uma das capitais modelo do país em desenvolvimento urbano, criamos o projeto “Curitiba Cidade Modelo”.   O objetivo era ir de bicicleta de Itajaí até capital paranaense conhecer o modelo de ciclovias e asimm incentivar a construção de ciclovias em nosso Estado para o lazer e porque não dizer também como transporte alternativo.

 

Roland Garros 1997 vídeo

 

 

Além do mais, estudos revelam que o Brasil possui cerca de 50 milhões de bicicletas e que 5 mil bicicletas em circulação tirariam meia tonelada de poluição no ar por dia.  Porém nosso país possui pouco mais de um mil quilometros de ciclovias e que precisamos de manifestações da população que incentivem o governo a programar as cidades para receberem ciclovias e assim poderemos pedalar com mais segurança pelas ruas. 

 

Joinville em Santa Catarina e Volta Rededonda no Rio de Janeiro, são as cidades que mais possuem bicicletas por habitante, uma para cada quatro.

 

Para o projeto Curitiba Cidade Modelo contamos com 100% de patrocínio e também a divulgação de nosso trabalho através da imprensa. Realmente estamos nos tornando conhecidos e mostrando seriedade em nosso trabalho.

 

Nosso primeiro patrocinador foi as Escolas de Inglês Yázigi International, hoje esse nome mudou para Yázigi Internexus.  A diretora da Escola de Itajaí, sra. Lenita Crippa nos patrocinou para eu e meu primo Leonel com duas bolsas de estudos em sua escola Yázigi.

 

Eu gostaria de agradecer as pessoas que participaram dessa história e também aos que me trataram com muito carinho.            

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Ciclista Adilson Joe