Pedalando Pela Paz

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Projeto Bike  ILHA DE SANTA CATARINA

  Viaje 200 km conosco pela Ilha da Magia.

 

Primeiro de dezembro de 1994, estava preparando a primeira viagem ciclística longa de minha vida.

 

Com o intuito de desenvolver um mapa cicloviário de toda Ilha promovendo a  ligação através de ciclovias de suas 42 praias, essa viagem contou com o apoio do Engenheiro José Piccoli, na formulação da idéia.

 

Veja o Mapa de Florianópolis

Ciclistas: Adilson Pedro Maria, 21 anos.      Tempo: 5 dias                    Visite também:
                 Leonel Hilário Maurici, 25 anos.    Distãncia: 400 km  
Curitiba Cidade Modelo

Nessa época eu estava novamente dando aulas de tênis num clube muito antigo e famoso de Itajaí, Sociedade Guarany.     Precisávamos de uma bicicleta com marchas para mim, pois meu primo já havia comprado uma de ótima qualidade, e também mais 150 reais para gastos com alimentação e hospedagem, mas nada conseguimos. Até uma semana antes da viagem, ganhamos um odômetro para registrar a distãncia e velocidade patrocinado pela Ótica Corujinha, cujo dono é meu eterno aluno de tênis, Sr. Jaime Heusser, uma pessoa que teve um papel muito importante para a realização da viagem para Atlanta.

Ganhamos também, uma mochila patrocinada pela Radionaval e conseguimos também a revelação das 108 fotografias que batemos, pagas pelo Sistema Unificado. Mas faltava ainda a bicicleta. Então fomos dar entrevistas para um programa local de televisão, e para os jornais Diário do Litoral e A Notícia, sobre a viagem de Florianópolis e um dia depois, ganhei uma bicicleta importada com 18 marchas patrocinada pelo Hipermercado Vitória, devido às entrevistas que demos.

Tudo preparado para viagem.  Saímos no dia 02 de dezembro numa sexta-feira às 07:00 hrs, em frente a Igreja Matriz no centro da cidade. Pegamos a rodovia que liga Itajaí a Balneário Camboriú, indo para BR 101 rumo ao sul. Subindo o Morro do Boi, paramos para tomar uma água de fonte potável e seguimos viagem indo parar 5 Km após a cidade de Tijucas numa barraca de caldo de cana. Fizemos um almoço econômico, pois não dispunhávamos de muito dinheiro. Levamos bolachas, bananas, pão, tomamos dois copos de caldo de cana e comemos um milho cozido cada um.  O simpático casal, Dona Justina e o seu Zé, tiveram a gentileza de não nos cobrar, então agradecemos batendo uma foto para registrar esse momento tão bonito na vida de um ciclo-turista. Nos despedimos e pé na estrada.

 

A viagem foi tranquila até chegarmos na capital de Santa Catarina, na Praça XV de Novembro às 16:30 hrs, que foram exatos 101 Km desde a Igreja Matriz. 

 Marcamos com a imprensa na mesma no dia seguinte e retornamos até a cidade de São José, onde mora meu irmão, Arnaldo Pedro Maria, Comandante do Corpo de Bombeiros de Florianópolis para passar a noite.  Logo cedo, tomamos um café da manhã caprichado, feito por minha cunhada Soráia, e voltamos até a Praça para darmos início a Volta a Ilha de SC.     

 

Lá fizemos uma matéria com a RBS TV já anunciando o objetivo de construir um mapa cicloviário de todo perímetro da Ilha, e nele contendo as informações de condições de estrada, dificuldades do percurso, distãncias de praia a praia, trevo a trevo e a descoberta de novos caminhos.

Logo depois, nos dirijimos ao norte, sendo a primeira praia a ser visitada, Praia de Cacupé, e de lá para as outras, sempre beirando o mar, pois era o que nos interessava.

 

Já de começo, encontramos pessoas que nos receberam com muito carinho, nos desejando uma boa viagem e muito sucesso.   A cada praia que visitávamos, sentiamos uma emoção diferente, as paisagens, as areias, o mar, nada se repetia.

A hora do almoço chegou, e mais uma vez a título de economia, compramos pão e fizemos um lanche. Aproveitando a pausa, tivemos a opurtunidade de assistir a gravação da entrevista que demos na TV e depois seguimos rumo a Praia do Pontal. Antes fomos abordados por uns moradores que assistiram nossa reportagem e oferceram uma água geleda.

Dali seguimos até a praia via areia beirando o mar, pois era o único acesso, onde paramos e comemos o nosso lanche acompanhado de muita areia, pois estava ventado forte. Voltamos pelo mesmo caminho pegando a estrada que dá acesso a outras praias e daí pra frente começavamos a pegar um vento contra perto dos 20 Km/h, dificultando a nossa pedalada, mas faz parte do show.

 Após termos passado por algumas praias menos famosas porém de uma beleza exuberante, chegamos na Praia de Canasvieiras, onde se estava tendo a realização de torneios nacionais de vôlei de praia, pois há uma boa margem de areia seguida de uma ótima estrutura.

Continuando nossa Volta a Ilha de Santa Catarina, chegamos na Praia da Lagoinha, muito bonita onde o mar é bastante calmo e também tem uma pequena lagoa, daí a origem do nome. Logo começamos a pegar terreno acidentado passando pela Praia Brava, preferidas pelos surfistas com suas enormes ondas para a prática do esporte, e também encontramos pessoas que nos viram na televisão e elas nos deram algumas informações sobre a Ilha. 

O final do dia chegou, e dali seguimos direto para a Praia dos Ingleses, passando pelo Morro Cortado, com uma descida emocionante de quase 1 km. Lá conseguimos um camping próximo à praia onde o simpático dono, cobrou apenas quatro reais pela noite, e ainda por cima dormimos num lugar feichado e ele nos emprestou um rádio para nos sentir em casa.

 

No domingo, acordamos para o nosso terceiro dia de viagem, seguindo para a Praia do Costão do Santinho e entrando numa trilha de areia com 1.600 metros cercada de dunas e vegetação. De repente, encontramos uma aranha caranguejeira, parada no meio do caminho, o Leonel teve a coragem de bater uma foto bem de perto e eu passei voando, pois não mexo com esse tipo de bicho. Essa trilha dá acesso até a Praia de Moçambique

Chegamos numa bifurgação em Y, e fizemos aquela pergunta que é a mais óbvia.  _E agora, pra onde?

Então, Leonel me deixou com as bicicletas e seguiu numa das alternativas para ver aonde iria dar. Aí apareceu um simpático senhor com um pequeno facão na mão, e aproveitei para pedir informações por qual caminho poderíamos seguir. Ele me respondeu com o muita simpatia e então batemos um bom papo enquanto Leonel chegava.

Nos despedimos do simpático senhor e seguimos o caminho certo. Chegamos na praia quase deserta, com uma imagem inesquecível, aproveitamos para relaxar e tomamos um merecido banho de mar.

Como estávamos no final da praia, continuamos pela areia até econtrarmos uma rua paralela. Depois de 5 Km, seguimos nossa viagem apenas apreciando o verde da Ilha, indo parar numa praia muito bonita chamada Barra da Lagoa, que preserva suas pequenas dunas e a pureza da água. Nesta, fomos até uma parte mais urbanizada e fizemos mais uma vez o nosso almoço econômico.

 

 

Dali mais a frente, a Ilha nos reservou a imagem considerada por nós, a mais bela, Lagoa da Conceição, enorme e de águas transparentes, cercada de dunas, montanhas e de clubes náuticos. Registramos esta maravilhosa visão e continuamos pela estrada que faz o contorno da Lagoa, seguida de um trecho montanhoso que dá acesso a Praia da Galheta, onde se pratica o naturismo, mas não entramos. Fomos conhecer então, a famosa Praia da Joaquina, por sua beleza inconparável, com dunas enormes, pedras com frutos do mar, restaurantes, área de lazer e é a praia oficial do surf de competição. No caminho tomamos um caldo de cana na barrca do tio para repor as energias.
 

Fizemos uma pequena pausa para apreciar a natureza e voltamos pelo mesmo caminho indo encontrar novamente a Lagoa da Conceição, tomando o sentido oeste e vendo muita grama, sombra, bares com som ao vivo, pessoas andando de jet ski, esquiando, pulando de rampas de murgulho, realmente um lugar para aliviar a tensão do trabalho e do trãnsito.

 Antes de terminamos o contorno, pegamos a esquerda em direção ao sul da Ilha por via urbanizada, mas antes tomamos um atalho de 3,9 km passando por uma estrada de chão e para variar, com muita areia dificultando a nossa jornada. Chegamos na Praia do Campeche,  e logo depois caiu aquela chuva de verão seguida de trovuadas mas estávamos protegidos em um bar.

Já eram 18:00 hrs, e resolvemos pedalar mais 14 km para passar a noite no Pãntano do Sul.  No caminho, atrevessamos pelas praias do Morro das Pedras, com areia bem grossa, cercada de montanhas de grandes pedras e também pela Praia da Armação, semi-deserta e cheia de mistério.   Quando chegamos, fomos procurar um lugar para dormir, e tomamos a direção para o Albergue do Pirata, que foi pra onde seguimos.

 

No caminho, passou por nós uma excursão de estudantes muitos simpáticos da cidade de Pouso Redondo e até pensamos que não sobraria lugar para mim e Leonel no Albergue, mas a sorte estava conosco.  Tanto que a simpática dona do Albergue, sra. Sueli, teve a gentileza de não nos cobrar pela estadia. A turma da excursão, logo começou a nos fazer perguntas sobre a viagem e assim nos tornamos amigos. Consideramos o melhor dia da viagem, conhecemos os lugares mais belos da Ilha e na noite tivemos uma agradável companhia daquele grupo de jovens. Foi um dia pra ninguém esquecer. 

Pela manhã, nos despedimos do grupo que saiu bem cedo e tomamos nosso café na cafeteria do Abergue, que também nos foi oferecido pela simpática e jovem sra. Sueli.   Agradecemos muito à simpática proprietária e tomamos para o sul, indo dar um pulo na Praia da Solidão, bem pertinho dali, e conhecemos uns moradores super simpáticos.  Esta praia é costeada de morros onde há uma trilha de duas horas de caminhada pela mata até chegar no lado oeste da Ilha, na Praia dos Naufragados. Eu e Leonel pensamos em ir por este caminho, mas o moradores não nos aconselharam, pois seria muito difícil atravessar para o outro lado da Ilha com nossas bicicletas.

  Então o jeito foi voltar em direção ao norte, passando em frente do Albergue indo pegar estrada de chão, e topamos com o Morro Cortado, o qual nos corta o caminho em 50% para podermos chegar no outro lado, exatamente na Praia de Fora. Logo de início pegamos uma inclinação de uns 10 graus de onde se tem uma vista maravilhosa de todo Pântano do Sul e um ar leve, puro aroma de eucalípitos, acompanhados do cantar dos pássaros.  Ali você se sente leve como o famoso Tarzan na selva, esquece que existe concreto, trabalho, civilização, e se alimenta de frutos do rio, do mar, das plantas, quase assim como nós naquele momento, nos alimentamos de cana-de-açúcar, bananas, laranjas e pão. 

Bom, depois de quase 10 Km de morro, chegamos no outro lado, partindo para os nossos últimos momentos na Ilha da Magia. Ligamos para a imprensa e marcamos um encontro no trevo de acesso Praia Morro das Pedras para fazermos uma entrevista de finalização da Volta a Ilha de Santa Catarina, com a TV Barriga Verde.

 Tornamos a pegar o sul, indo até a Praia de Caeira, e já fomos abordados por uns simpáticos moradores que nos viram na televisão, e claro, batemos um agradável papo. Dali continuamos e percebemos a companhia de um cachorro que nos seguiu durante 1,5 Km,... pra onde ele vai? Chegando ao nosso fim, porque mais adiante só a pé, visitamos o Estaleiro de Canoas e conversamos com um simpático senhor sobre a vida no mar.

Retornando em direção ao norte da Ilha, fizemos o nosso primeiro almoço descente, um suculento prato de feijão com arroz, peixe, salada e muita água, pago por meu primo Leonel, porque eu estava sem dinheiro. Depois desse merecido almoço, fomos ao encontro com a imprensa para registrarmos o final da viagem, exatamente no trevo que dá acesso a Praia do Morro das Pedras, onde também serviu de cenário para a gravação da entrevista. Dali fomos correndo para o centro da cidade, na Praça XV de Novembro, local do início da viagem.  Demos mais uma entrevista para o Jornal e pedalamos para a casa de meu irmão passar a noite.

No quinto e último dia de viagem, permanecemos na casa de meu irmão para descansar e limpar as bicicletas e fomos embora logo depois do almoço.  A viagem de retorno foi tranquila, graças a Deus, e passamos novamente na barraca de dona Justina para tomarmos aquele caldo de cana gelado grátis, pois ela novamente não quiz nos cobrar.
 

Chegamos em Itajaí, nesse mesmo dia 06 de dezembro, na Igreja Matriz as 19:10 hrs.

Com essa viagem, começávamos a dar início ao nosso curriculun e assim nos tornávamos comhecidos no ciclismo aventureiro.  Até fizemos uma exposiçao de fotos durante quatro dias dentro do Hipermercado Vitória.

 

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