Sabemos
que Curitiba no estado do Paraná, é considerada cidade modelo em
desenvolvimento urbano no Brasil, então realizamos este projeto
ciclístico até a capital Paranaense no início do mes de maio de 1995
e voltando pelo litoral. Fomos conhecer o módulo de ciclovias
da cidade com mais de 150 km que serve de exemplo para todo País e
também arrecadar assinaturas para uma campanha promovida pelo Yázigi
para o estímulo na construção de ciclovias. Graças ao
sr. Acyr Osmar de
Oliveira e do Engenheiro
José Picolli,
tivemos um melhor acesso aos empresários da cidade e assim
felizmente conseguimos 100% de patrocínio.
Foram 12 dias de
viagem, 712 km pedalados e R$ 550,00 em patrocínio.
Ciclistas:
Leonel Hilário Maurici, 25 anos.
Visite
Também:
Os
patrocinadores:
Prefeitura municipal de Itajaí, Sistema Unificado,
Ótica Corujinha, Beline Video Foto e Som, Rádio Naval, Hipermercado Vitória e o
Yázigi Internexus.
Viaje
agora com alguns momentos marcantes.
Demos
início a nossa viagem a partir do marco zero da cidade de Itajaí,
Praça Vidal Ramos. Já em Joinville, 80 km desde o ponto zero,
paramos num hotel perto da rodoviária, conhecemos uns hóspedes que
estavam na cidade a trabalho. Ficamos conversando um pouco até o que
o dono do hotel chegar. Depois de pagar pela estadia, subimos e
tomamos um banho e quando descemos para pedir informação de onde
encontrar uma padaria para comprarmos o nosso lanche, os caras já
estavam bêbados e brigando entre si. Até a polícia estava por perto
e também ouvi uma frase um pouco agressiva de um deles:
_ Voçe cala a boca se não eu vou dar um tiro no seu olho.
Isso foi o bastante para eu e Leonel voltarmos para o quarto. Já
passavam das 20:00 hrs e na disputa do palitinho, eu tive que sair
para comprar o lanche. Como era um sábado, era difícil encontrar
algum comércio aberto, mas lá fui eu. Andei, andei, e nada. Só fui
encontrar uma padaria aberta no centro da cidade. Aliás pra variar,
eu tinha ido a pé. Demorei tanto que Leonel já estava quase ligando
para a polícia e assim poder me localizar.
No
dia seguinte, tínhamos que enfrentar os 9 km de subida na Serra de
Mar. Antes passamos por algumas barracas a beira da estrada e
paramos para comprar mel, rapadura e um composto de sementes. Nesta
barraca, por coinsidência, o dono era um ex-companheiro de trabalho
de Leonel, então a parada foi ainda mais emocionate, enquanto eles
relembravam seus velhos tempos, eu comia.
Dali cruzamos a divisa dos
Estados de Santa Catarina e Paraná, e paramos logo depois na região
do município de Pedra Branca do Araraquara, para almoçar.
Aqui tem
uma fonte de água natural com uma queda d’água de 2,5m e vendo isso,
não resistir, acabei indo tomar um banho relaxante. Conhecemos
também quatro ciclistas aventureiros vindo de São José dos Pinhais,
os quais desceram a Serra do Mar e depois retornam subindo rebocados
atrás de caminhões.
Bom, depois de um belo banho, uma ótima conversa com companheiros de
estrada e um farto almoço, é hora de pôr o pé no pedal e subir a
Serra. O sol e o calor estavam presentes, e em quatro quilômetros de
subida, a água estava no último gole. Paramos para descansar, porque
o coração pedia, e então eu e Leonel resolvemos continuar subindo
rebocados cada um em um caminhão. Eu consegui primeiro e fui embora.
Não podia olhar para trás para poder ver se meu primo vinha vindo,
porque corria o risco de desequilibrar. Depois de 20 minutos serra
acima, encontrei uma fonte de água potável e parei para reabastecer
o reservatório. Passaram-se mais de 20 minutos, fiz um lanche e nada
de Leonel chegar. Passaram-se mais 10 minutos e os quatro ciclistas
que encontramos no almoço passaram dizendo que ele já vinha vindo
pedalando ao invéz de pegar uma carona rebocado em um caminhão.
Depois de 5 minutos ele chegou e aproveitei para registrar este
momento.
Ele chegou cansado e desnutrido, bebeu quase um litro de
água e comeu os suplementos que trazíamos. Mas perguntei por que não tinha pegado um caminhão e ele me disse que não
conseguia se equilibrar com um braço segurando a carroceria do
caminhão e o outro guiando a bike. Ai eu perguntei:
_ Que tipo de ciclista que tu és?
O dia estava acabando. E então o dia disse pra noite:
_ Assim não dá, quando eu termino tu começa.
O frio tambén marcou presença e o jeito foi colocar o agasalho.
Chegamos na cidade prevista para o repouso, mas não encontramos
nenhum hotel por perto. Incetivados por uma pessoa, seguimos mas
adiante enfrentando a nossa primera viagem noturna. Passamos um
mocado de riscos de sermos atropelados, pois não tínhamos os
chamados vaga-lumes. (são luzes vermelhas a pilha que ficam piscando
para colocar na bicicleta). Pedalamos quase 1 hora chegando na
cidade de São José dos Pinhais para então, esticar o esqueleto. Já
eram 10:00 horas da noite, e as ruas estavam vazias, mas avistamos
um cidadão para quem eu o abordei de forma que ele se assustou.
Explicamos nossa situação, e ele, conhecido como gaúcho, nos levou
até a um hotel.
No caminho ele nos alertou que estava armado porque
era seguranca de uma danceteria. Quando chegamos ao hotel, ele nos
disse:
_ Olha! Se vocês acharen caro o hotel, podem ir dormir lá em casa.
Na minha casa cabem pra mais de dez de vocês de bicicleta.
Agradecemos, mas preferimos ficar no hotel, pois estavamos cansados
para esperar ele sair de seu trabalho. Tomamos um banho e comemos
alguns cereais, só que a fome continuou, então fui comprar um lanche
perto da dancereria. Logo na ida o gaúcho me chamou para conversar.
Perguntei a ele se havia muitas brigas na danceteria e ele disse:
_ Aqui ninguém briga, se brigar morre.
Ele me deixou entrar na danceteria sem pagar e fui fazer uma
ginástica dancando um rock in roll enquanto Leonel com fome,
esperava pelo lanche. Demorei nais de uma hora para voltar e Leonel
quase foi atrás de mim para me procurar.
Chegando
em Curitiba, fomos atrás de informação para poder chegar ao albergue
da juventude, onde já tinhamos reservado a estadia. Aqui no albergue, conhecemos um turista vindo
da Inglaterra, um simpático senhor Professor de Física e Matemática
aposentado que se chamava,
Richard.
Ele já estava três meses no
Brasil mas não falava português. Richard pousou primeiro em Belém do
Pará e de começo foi assaltado, porém isso não o incomodou. Descendo
de norte a sul pelo litoral, ele se encantou com a beleza natural de
nosso País. Começou a aprender português através de seu dicionário,
mas mesmo assim, ele nos disse que já estava a três dias sem comer
direito, porque ninguém o entendia. Então o levamos para jantar no
restaurante na famosa Praca XV no centro de Curitiba e ele pediu o
prato do dia e saciou sua fome.
Na volta para o albergue, passamos
na rua 24 horas. Ela foi criada pelo governo estadual para atender a
todos, ela é coberta com telhado transparante e ali o comércio é
aberto 24 horas, loja de calcados, de roupas, de discos,
supermercado e cafeterias.
No outro dia, deixamos nossas mochilas no albergue, pegamos nossas
bicicletas e fomos conhecer o sistema de coclovias da cidade.
Visitamos a prefeitura para maiores informações, e aproveitando,
buscávamos assinaturas para a implantação de ciclovias em todas as
cidades do País promovida pelo Yázigi em nível Nacional.
Comunicamos à imprensa de nossa presença e eles fizeram uma reportagem conosco
na TV sobre nossa viagem.
Voltando ao albergue, liguei para a Joseane, uma ex-colega que de
sala de aula do Sistema Unificado lá em Itajaí e que vive aqui. Ela
soube da nossa viagem porque nos viu na televisão, ficou muito
contente por nós estarmos fazendo esse trabalho e nos convidou para
ir dormir em sua casa.
Pegamos seu endereço e fomos, só que seguimos
pro lado errado e demoramos quase duas horas. Já era tarde da noite,
seus pais nos receberam com o maior prazer nos esperando com um belo
jantar.
Na
sexta-feira o seu Rodolfo com seus 68 anos de idade, nos levou pela
manhã até próximo a estrada BR 101 e assim podermos continuar com
nossa viagem. Chegamos ao trevo e vimos a placa indicando para o
mesmo sentido: Porto Alegre, Florianópolis, São Paulo. Eu e Leonel
íamos para o sentido de São Paulo. Eu estava a frente, dobramos a
direita e logo passei para a calçada da esquerda dobrando a esquerda
vindo cruzar a estrada e ir no sentido norte, mas quando olhei para
trás, onde está Leonel? Isso mesmo, o cara pegou o sentido sul e não
olhou pra trás pra ver se eu estava junto. Parei e esperei, só que
ele nada. Então voltei ao ponto onde havíamos nos perdidos, esperei
e nada. Fui ao encontro dele andando quase 2 km para o sul e não o
encontrei. Comecei a ficar preocupado, pois ele estava com todo o
dinheiro da viagem e eu sem um centavo. Voltei novamente ao ponto
zero (lugar do desencontro) e nada. Esperie mais uns 15 minutos e ai
fui conversar com uns policiais que estavam patrulhando a estrada e
um deles me disse:
_ Vá para o lado certo, ai ele vai ver que errou e vai voltar.
Não tive outra auternativa, segui em frente. Depois de uns 5 minutos,
olhei para trás e lá vinha o Leonel correndo igual a um doido. Esse
desencontro nos atrasou no mínimo uns 70 minutos. Passado o
susto, combinambos que se isso acontecesse de novo, os dois devem
voltar ao mesmo lugar onde houve o desencontro.
Chegando na Serra da Graciosa com seus mais de 12 km descendo por
ruas com muitas curvas, sentimos a agradável recopensa de toda
viagem acompanhada com uma bela natureza. Passamos por parques com
áreas de repouso, camping e fonte d’água potável. Paramos numa
barraca de caldo de cana para matarmos a sede.
Continuamos a descer
e chegamos ao fim da Serra da Graciosa. Dali pra frente continuamos
sem problemas e até achamos uma ciclovia de 5 Km. Já era noite e não
sabiamos se continuássemos ou então, dormíamos por ali.
Mas para não
furar o projeto, colocamos os vaga lumes na cintura que compramos em
Curitiba e fomos embora iluminados por minha pequena lanterninha que
trouxe comigo.
Apesar da pista ser dupla, os faróis dos carros que
vinham do outro lado nos ofuscavam. De repente, eu na frente com
minha lanterinha e Leonel me seguindo, não percebi um buraco no
acostamento, e quase caimos feio. Poderíamos ter ido parar dentro da
estrada e correr o risco de sermos atropelados, mas foi só um susto,
e conseguimos equilibrar a bicicleta. As 21:00 hrs chegamos na
cidade de Paranaguá, com mais de 130 km pedalados naquele dia.
Paramos no primeiro hotel que encontramos, fizemos nosso jantar na
cozinha do hotel a base de macarrão e ovos, e pegamos no sono rápido.
Pedalamos rumo ao sul, em direção a cidade de Matinhos,
onde almoçamos. Nesse dia, pegamos uma chuva fina entre 10:00 e
15:30 hrs, mas não nos impediu de continuar viagem. Também
registramos o primeiro e único furo de pneu da viagem. Atravessamos de ferry boat de Ubatuba-PR para Brejatuba-SC,
onde ciclistas e pedestres não pagam passagem.
Fomos chegar em
Itapoá as 18:00 hrs, pedalando nesse dia apenas 68 km em 5 horas de
pedal.
Começamos nossa viagem já um pouco tarde, as 8:45 hrs, chegando após
30 km na cidade de Vila da Glória, onde estava tendo a festa do
camarão. Fomos prestigiados pelos habitantes daquele pequeno
município e também pela Polícia Militar.
Dali almoçamos um prato de
camarão é claro, e pegamos uma lancha que leva ciclistas e pedestres
até a Ilha de São Francisco do Sul, considerada a terceira cidade
mais antiga do Brasil. A travessia durou apenas 15 minutos e pagamos
R$ 3,50 reais por nossas duas passagens.
Dali pedalamos em direção a
Praia da Enseada, a mais famosa da ilha. No caminho,
encontramos o Joe da Bike que estava pedalando pela Ilha. Lá conseguimos um bom
desconto em um aparte hotel, muito confortável de frente pro mar.
No décimo dia da
viagem, saimos desde a praia da Enseada e demos a volta pelo
perímetro da Ilha e tivemos que andar mais de 5 km empurrando a
bicicleta pela areia da praia que era muito grossa.
Almoçanos na praia do Ervino no sul da Ilha indo chegar no centro da
cidade de São Francisco o Sul por volta das 16:30 hrs.
Deixamos nossas
bicicletas no hotel e fomos a pé tomar
informações turísticas com os simpáticos moradores da
cidade e visitamos o musel marítimo para conhecer os mais exóticos
barcos que fizeram a história da cidade. Realmente, São
Francisco do Sul é uma cidade
histórica e cheia de mistérios, sendo a terceira cidade mais
antiga do Brasil descoberta em 1504 pelos franceses.
Retornamos ao
hotel e pela manhã bem cedo tratamos de dar no pé, ou melhor, no
pedal. Dali nos restava pouco mais de 80 km para chegar em
casa em nosso décimo-segundo dia de viagem.
Almoçamos na praia de
Barra Velha indo chegar as 17:30 hrs de volta ao marco zero
da cidade de Itajaí, na Praça Vidal Ramos, após
atravessarmos de Ferry Boat desde Navegantes para Itajaí.