Pedalando Pela Paz

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No dia 24 por volta das 9:30 hrs, estava cruzando a ponte internacional 1, sobre o rio grande e carimbando o passaporte para entrar nos Estados Unidos.   O engraçado foi que eu não carimbei a minha saída do México e na fronteira no lado americano, o agente de imigração me fez uma só pergunta: Pra onde voçe vai? E eu Disse: Atlanta para assistir as Olimpíadas mas estou indo em bicicleta.   Logo o agente examinou o meu visto e carimbou meu passaporte de entrada nos Estados Unidos.   Parecia um sonho, mas lá fora tive que mostrar toda minha bagagem na frente de 4 policiais e cães farejadores.  Pronto, estava me sentindo um cidadão do mundo pisando na terra do Tio San.  Há quem fale mal desse país e a quem não goste daqui, mas o americano em geral é um povo acolhedor e íntegro.  Sempre vão aparecer pessoas que provem o contrário, porém são a minoria. 

Passaporte carimbado, já em Laredo no Estado do Texas, dali faltavam 21 dias para completar a viagem que durou mais de 7 meses, na cidade de Atlanta, capital do Estado da Georgia.  O sonho que parecia tão longe estava acabando se se realizar graças a Deus.  Depois de ter almoçado em Laredo, tomei a rodovia interestadual 59 e segui viagem.  A estrada era boa, com acostamento mas sem urbanização por perto.  Pedalando agora em baixa altitude, o relevo era mais plano sem grandes subidas ou descidas.  Apos 9 horas pedalando desde Nuevo Laredo no México, somei um total de 110 km até chegar na pequena cidade de Freer, a 158 metros de altitude e com pouco mais de 3 mil habitantes.  Cheguei na cidade por volta das 23:00 hrs e consegui apoio num posto policial onde tinha soldado que falava espanhol. Carimbei minha agenda com o carimbo do departamento da polícia e comecei minha viagem já um pouco tarde as 09:30 hrs. 

Após 8 horas pedalando pela highway 59, parei na cidade de Beeville, TX, com pouco mais de 13 mil habitantes.  Aqui fui recebido pelo Sargento da polícia que também falava espanhol e ele teve a generosidade de me comprar um jantar (hamburguer).  A única condição era que eu tinha que dormir numa cela porque não havia dormitório e eu tinha que sair antes que o cherife chegasse. 

 O sargento me acordou as 5 horas da manhã e pediu que eu desse o fora.  Em questão de comunicação com os americanos, ficou por conta do espanhol, gestos e dicionário.  Por sinal eles forma bastante pascientes comigo nesse ponto. 

Na quarta-feira dia 26, pedalei 95 km até a cidade de Victoria e aqui me foi negado alojamento tanto na polícia, quanto nos bombeiros.   Então uma simpática senhora me indicou passar a noite num lugar chamado "The Salvation Army" (As Armas da Salvação ou Exército da Salvação).  Foi criado a partir da igreja em 1865 por um casal de pastores para atender as necessidades básicas humanas inclusive o pronunciamento do Evangélio de Jesus Cristo.  Hoje The Salvation Army foi instalado em 113 países incluindo o Brasil e atende mais de 175 idiomas.  

 

Aqui é servido café da manhã as 5:30 hrs e é preciso deixar o local até as 8:00 hrs tendo que retornar no máximo as 20:30 hrs, e as 19:00 hrs é servido um jantar.  

 

O local têm chuveiros, dormitório e armários para guardar as roupas. 

Meu amado leitor que se interessou pelo meu web site e chegou até aqui lendo a minha história, eu encorajo você aprender a ler e falar inglês, porque nem tudo que se lê em português, está bem explicado, mesmo na internete.  Não importa a sua idade, aprenda inglês que muitas portas poderão se abrir pra você.

 

No dia 27 quinta-feira, apressei as pedaladas aproveitando as descidas e andei 142 km até a cidade de Wharton ainda no Texas, com apenas 31 m de altitude.   Aqui não havia Salvation Army, então fui procurar a polícia mas me foi negado alojamento, e nos bombeiros não havia niguém pra me atender pois eram voluntários.   E agora?  O dia foi escurencendo e o jeito foi armar minha barrca pela 26º vez num posto de gasolina e ali passei uma noite tranquila.  Acordei, arrumei tudo e pé no pedal.  Pedalei 112 km até a cidade de Houston e consegui ficar no Salvation Army com direito a jantar e um belo banho. Já no outro dia peguei a Freeway Interestadual 10, onde o tráfico de ciclistas, pedestres e veículos não motorizados é proibido, e pedalei 147 km para achar um Salvation Army na cidade de Beaumont, mas cheguei tarde demais.  Um simpático casal da cidade de Lumberg, me acompanhou até lá e tentamos convencer o porteiro a deixar eu ficar ali, mas ele me disse que é por causa de um tal “the rules” que não me deixava entrar.  Então pedi a ele que me mostrasse em meu dicionário quem é esse senhor “Rules”, e só assim eu entendi.  O estabelecimento feichava as 20:30 hrs e eu cheguei as 21:30 hrs, então não tinha jeito.  Até a polícia foi chamada e um deles falava espanhol.  No quartel da polícia eu não poderia ficar, foi então que o casal americano resolveu pagar um hotel pra mim. Agradeci muito a eles e tive uma noite bem dormida. 

No último dia de junho, ainda na Freeway I-10, passei por uma ponte de aproximadamente 20 km que passa por cima de um banhado e me custou alguns furos de pneu.  Consertei as cãmaras furadas e tratei de chegar na cidade de Lake Charles, já no Estado de Luisiana, antes das 20:30 hrs pra não ficar do lado de fora.

 

Até deu tempo de encontrar uma lavanderia, por 3 moedas de 25 centavos, sabão e claro, muita roupa suja.  Aí é só esperar uns 30 minutos e a roupa saia limpa e quase seca.   Encontrei um Salvation Army e aqui passei uma noite tranquila.  

 

No dia seguinte, me dirigi para a cidade de Baton Rouge, capital de Louisiana, lugar onde se localiza a Igreja de nosso amado Pastor Jimmy Swaggart. Aqui fiquei alojado duas noites no Salvation Army e aproveitei o dia de quarta-feira para regular a bicicleta e consertar as cãmaras furadas, já que me foi solicitado uma entrevista para a televisão.  O reporter me perguntava em inglês e eu respondia em espanhol, pois tinha americano que falava espanhol para traduzir a pergunta.  No dia 4 de julho, quinta-feira, dia da independência dos Estados Unidos, pedalei 138 km para chegar no Salvation Army da cidade de New Orleans

No caminho, vindo de Baton Rouge pela freeway I-10, fui parado por uma veatura da polícia que me ordenou a sair da estrada e trafegar pela West Airline Highway 61 para chegar em New Orleans.  Como gastei o dia inteiro pedalando, não acompanhei as comomerações do dia 04 de Julho.  Até aqui, registrei mais de mil horas e 18 minutos pedalando desde Itajaí.

Quando cheguei, já estava escurecendo e tive que me acolher no Salvation Army, pois aqui, entrou, não pode mais sair.  Daqui por diante, tive que viajar pelas antigas rodovias mais ou menos paralelas a grandes freeways. 

Então, consultei o meu mapa de bordo e escolhi pegar a highway 90 que é mais perto do Mar do Golfo do México, e pedalei 143 km em 9 horas e 43 minutos até chegar na cidade de Biloxi, no Estado de Mississipi.

  

Continuando dali mesmo pela Highway 90, pedalei mais 118 km até o Salvation Army da cidade de Mobile, no Estado do Alabama, onde passei a noite.  A partir daqui, estava dando adeus ao litoral e peguei a Highway 31 para chegar em Montgomery, capital de Alabama. 

O que eu vou falar agora, você não precisa ficar com nojo de mim, mas eu aproveitei a oportunidade que iria passar por pequenos municípios que provalvemente não haveria The Salvation Army, e quiz fazer uma experiência de pedalar 4 dias debaixo de sol e chuva sem tomar banho e sem trocar de roupa até chegar em Montgomery.  E lá fui eu.

 

Acordei cedo, tomei meu café da manhã no Salvation Army de Mobile, respirei fundo e pedalei exatos 100 km a armei minha barraca pela 27º vez num camping no município de Atmore, com pouco mais de 7 mil habitantes, morro acima com 86 metros de altitude.   Minha alimentação nos Estados Unidos foi basicamente de leite, cereais e hamburguer.   Pela manhã, desarmei minha barraca e pedalei mais 89 km para chegar no município de Evergreen onde armei minha barraca pela 28º vez também em um camping.   Daqui, 73 km separavam o meu 29º acampamento no trevo entre Highway 31 e a rodovia 4.  No meu quarto dia sem tomar banho, desarmei minha barraca e estava continuando minha viagem, quando de repente o eixo dianteiro foi pro beleléu (olha o Beleléu aí) e a minha sorte que passou uma veatura da polícia que me socorreu e me levou até uma oficina em Montgomery pra eu fazer o conserto.  Almocei ali mesmo e continuei viagem.  

Quando ia passando por um viaduto, avistei a primeira placa indicando Atlanta, me emocionei muito, mas dei uma de João sem braço e encarei a Freeway I-85 mesmo sabendo da proibição de cilcistas nessa estrada. 

 

Porém minha alegria não durou muito e logo parou uma veatura da polícia atrás de mim e o policial muito irritado, me disse várias vezes “Get off”.  Pedi pra ele me mostrar em meu dicionário, quem é esse tal de “get off” que não me deixava pedalar por aqui.   Consultei novamente meu mapa e resolvi seguir pela rodovia US 29 até chegar em Atlanta.    

Já eram 20:00 hrs quando encontrei um posto policial no município de Shorter e ali os policiais me autorizaram armar minha barraca pela 30º vez no pátio atrás onde haviam duas veaturas desutilizadas.

   Os policiais não falavam espanhol, mas mesmo assim tentei perguntar a eles se poderia tomar um banho, mas não haviam chuveiros e o jeito foi encarar a minha quarta noite sem tomar banho.   O meu prazo de 4 dias sem tomar banho estourou, e estava louco achar um chuveiro ou até mesmo um rio para aliviar as assaduras.  Mas o meu dia 11 de julho foi melhor e depois de pedalar 97 km cheguei na cidade de Valley.   Encontrei um quartel do corpo de bombeiros que me deixou tomar um merecido banho na temperatura certa. 

Os bombeiros americanos ficaram muito honrados com a minha presença, bateram umas fotos comigo (depois do banho) e chamaram um amigo mexicano para ajudar na tradução.  Eles também me deram uma ajuda financeira e pra completar, me pagaram uma noite num hotel.

 O mexicano nos acompanhou ao hotel onde eu iria dormir, e ele me disse pra eu não ir embora no dia seguinte, porque os bombeiros voltariam pela manhã com uma outra senhora de Porto Rico para me levar para fazer uma entrevista em um jornal local.  Era Dona Christina com sua filha, Miss Alabama que se chama, Vernalisa, e também os bombeiros.   Eles viearam com uma esquipe de Jornal da cidade e nos dirijimos para a cidade de Lanett,  a 14 km de Valley.   Em Lanett, fui recebido pelo comandante geral da polícia e pelo Prefeito, que teve a honra da minha presença em sua cidade.   Em sua sala, ele me pediu que sentasse em sua cadeira e o comandante que estava presente, me perguntou quais eram as ordens.   E eu respondi: Mantenham a ordem e paz.   Isso graças a Dona Christina que traduzia tudo que se passava.   

Nesse mesmo dia 12 de julho, Dona Christina me convidou para ir no Parque Callaway Gardens fotografar a Tocha Olímpica que passaria por ali rumo ao Estádio Olímpico em Atlanta. 

 

Depois do passeio, Dona Christina, teve a honra de me hospedar em sua casa e no dia seguinte, fomos visitar a equipe de atletas brasileiros que se encontravam alojados numa Universidade em LaGrange, Estado da Georgia, bem perto dali.   Pedi a ela que levasse minha bicicleta em seu carro, para eu poder tirar fotos com os atletas.
Ali estavam parte da equipe de atletismo e a nossa Seleção de Basquete Femenino, a qual tive a honra de almoçar na mesma mesa, ao lado Hortência, Paula, Branca, Janete e toda a Seleção.  Todas muitos simpáticas, elas ficaram honradas em me conhecer, pois muitas delas souberam de minha história quando me viram na televisão no Brasil.

 

Também tive a oportunidade de conhecer o atleta Zequinha Barbosa e o maratonista Galdino de Blumenau, defendendo o Brasil nas Olimpíadas de 96.  E assim foi o meu dia 13 de julho, ao lado de nossos atletas brasileiros.

  

Mais uma noite fiquei na casa de Dona Christina, que me tratou como eu fosse um filho, até lavou minha roupa.  Pela manhã do dia 14 de julho, domingo, me despedi daquela simpática família e estava precisamente a dois dias de Atlanta.   Continuei pela Higway 29 e após ter pedalado apenas 61 km fui parado por um reporter americano na cidade de Newnan.   Ele me pediu muito uma entrevista e mesmo sem falar muito espanhol, nos comunicamos daquele jeito e ele também teve a honra de me receber em sua casa com sua esposa e filhos.

 

           Segunda-feira 15 de julho, o último dia de viagem estava se cumprindo.   Agora faltavam pouco mais de 60 km até o Estádio Olímpico.

 

   

         

   Continuando pela US 29, extamente as 16:00 horas encerrei minha viagem na cidade de Atlanta no GA Dome, ginásio onde eu assisti nossas meninas do Basquete conquistarem o segundo lugar nas Olimpíadas.  Minha sensação quando cheguei na cidade de Atlanta, era de chorar, rir e pular de alegria.   Primeiramente agradeci muito a Deus e por Ele ter me trazido aqui sem levar um arranhão, saudável e 7 kilos mais magro.

           

Meu coração estava transbordando de satisfação e felicidade.   Foram tantas lutas e obstáculos para a realização desse projeto que só Deus sabe dos detalhes.   Quero agradecer muito ao Engenheiro José Piccoli, ao senhor Acyr Osmar de Oliveira, a Prefeitura de Itajaí, um especial thank you para as Escolas de Idiomas Yázigi, ao senhor Carlos Priess, a rede de Ensino Sistema Unificado, ao seu Jaime da Ótica Corujinha Do Vale, ao meu primo Leonel que de certa forma me acompanhou nessa luta e ao meu tio Edmundo que teve essa idéia.

E muitos outros que não mencionei o nome mas que também tiveram um importante papel na conquista desse evento.

 

Assista esse vídeo

 

Aguardem que daremos um passeio pela cidade de Atlanta.

 

Ciclista Adilson Joe