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A qualidade da estrada também era péssima impedindo que andasse
rápido. Depois de 40 km da fronteira, peguei uma nuvem
carregada de chuva que caiu bem em cima de mim e eu estava sem como
me abrigar, enrolei o gravador num plástico e tive que continuar ate
encontrar uma guarita policial abandonada onde havia também um
senhor esperando a chuva passar. O senhor que estava comigo me
ofereceu seu lenço para eu secar o meu gravador porque tudo o que
tinha estava molhado. Nesse meio tempo que durou
mais de meia hora ate a chuva passar, o senhor me disse que as
chuvas são mais freqüentes por causa do inverno que vai ate outubro.
O tempo que perdi foi cruel para alcançar o km 100, mas pé no pedal
por que eu não podia perder tempo. No KM 60 entrei num
povoado para almoçar e voltei para estrada. 15 km mais
avistei outra chuva chegando, era o fim da esperança de completar
meu objetivo antes de anoitecer.. O engraçado é que do
meu lado direito e esquerdo estavam negros com nuvens de chuva, mas
na minha frente e atras estavam claros e percebia as nuvens dos dois
lados se fecharem e formarem a chuva que durou mais 40 minutos.
Dessa vez parei numa lanchonete de esquina antes da chuva começar
onde havia algumas pessoas esperando ônibus. Sentia
naquele momento frio por causa do vento que fazia e ainda estava um
pouco molhado minhas roupas. Era uma quinta-feira e
durante a chuva eu confesso que pensei pegar um ônibus também,
porque seria fatal se eu chegasse na Guatemala na sexta-feira no
final do dia, teria que ficar o final de semana na cidade para poder
ir na Embaixada do México para pegar o visto, mas achei melhor não.
A noite já estava chegando e resolvi continuar assim mesmo.
Coloquei o farol mas logo a pilha foi pro beleleu e a única coisa
que me restava para iluminar meu caminho era Deus e a faixa branca
do meio da estrada, e minha sorte é que não tinha quase nenhum
tráfico de veículos. O que me deu raiva não foi ficar
sem iluminação andando pelo meio da estrada arriscando a vida quando
vinha um carro tendo que sair para o acostamento, o que me enfureceu
foi andar mais de 20 km descendo serra sem poder passar de 15 km/h
porque eu não enxergava nada, pois a noite foi bem escura. Ao
final da serra, cheguei numa urbanização por volta de 20:00 hrs onde
encontrei um senhor com uma lanterna ao qual tomei informações de
onde encontraria a próxima cidade. Nisso chegou uma viatura da
polícia perguntando o que estava acontecendo e o senhor explicou a
eles sobre o meu caso. Os policiais me alertaram que eu na
podia viajar a noite por aquela região que eu seria um alvo fácil
para um assalto. Antes de eu perguntar a eles se podia
dormir no quartel da polícia, o senhor me sugeriu passar a noite na
casa de um amigo perto dali, mas pedi que a policia nos acompanhasse
também. Chegando na casa, uma senhora nos atendeu
dizendo que não podia me ajudar, mas eu disse a ela que tinha uma
barraca e que se podia armar no seu quintal por questão de
segurança, então começou a seção “tenho que falar com meu filho, que
o filho tem que falar com o irmão mais velho, que o irmão mais velho
tem que falar com o tio até chegar no cachorro que participou da
discussão e etc” . Já passavam mais de 10 minutos
tentando convencer a família a me ajudar, no final apareceu até o
avô e a avó para autorizar que dormisse ali. O policial
já não estava suportando essa embromação e foi fundo dizendo que
seria apenas um gesto de humanidade, então ele mostrou minha agenda
com os carimbos por onde passei com meu passaporte e finalmente
aquela família tão desconfiada de mim, deixou dormir dentro de sua
casa no chão da varanda colocando uma esteira para eu deitar.
Agradeci muito a Deus por estar passando aquela noite que poderia
ter sido pior, numa casa de família descansando tranqüilo para
enfrentar na sexta-feira, os 74 km quase tudo sobindo que ainda
restavam para chegar na capital daquele pais, pois Guatemala ficava
a mais de 1.200 metros de altitude.
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Só que eu fui forçado depois de 25 km dali, aceitar uma
carona até a capital Guatemala chegando lá pouco antes de
almoço e fui direto a Embaixada do México para pegar o
visto.
Agora sim, estou com todos os vistos no passaporte e
aproveitei para dar uma volta na cidade. |
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A cidade é muito interessante conhecer, preserva seus
grandes palácios e igrejas que fazem parte de sua história,
bem como o Palácio Nacional onde fica o Presidente.
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Pela primeira vez me foi negado alojamento na Cruz Vermelha,
então fui tentar junto ao Quartel General da Polícia bem
próximo ao Palácio do Governo onde fui atentido com muito
honra por todos os policiais. O Quartel é
enorme construído a mais de 73 anos. Aqui fiquei
alojado no quarto dos oficiais e o tenente mandou o sargento
comprar o meu jantar. |
Logo depois de comer, o tenente ligou para uma rádio, e me
perguntou se eu poderia seder uma entrevista por telefone e
desenrolei o espanhol.
Os
policiais disseram que a cidade da Guatemala foi contruída a partir
de um vale, que se chamava Valle de la Ermita, logo depois do enorme
terremoto que destruiu a cidade da Antigua Guatemala em 1775.
Até
aqui pedalei 9.960,7m em quase 700 horas em bicicleta, gastei perto
de $2,430.00 dolares e tomei 401 litros de água. A moeda
aqui é o Quetzal, ganhou este nome em 1925 por causa da ave quetzal.
Fui no correio para passar um fax para o Brasil e me custaria mais
de $5.00 dolares por folha, então eu resolvi mandar por avião.
DE
GUATEMALA PARA MÉXICO:
estava
a pouco mais de 40 km da cidade da Antigua Guatemala, que fica cerca
de 53 m a mais de altitude e também resolvi conhecer por indicação
dos próprio policiais do Quartel General.
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Faltando 25 km para chegar, encontrei com um ciclista
guatemalteco que se chamava Rorgério. Ele estava me
acompanhando numa das subidas e logo fizemos amizade. Já
estava perto da hora do almoço e Rorgério me convidou para
almoçar na casa de seus pais e depois ele promoteu que me
levaria até a Antigua Guatemala para me mostrar um pouco da
história da cidade. |
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Achei que ele queria ser gentil e aceitei o convite. Em sua
casa, toda
sua família me recebeu com muito orgulho e também me convidaram para
passar a noite em sua casa. Eu não iria aceitar, mas quando disse
que estava indo para Chimaltenango, eles me disseram que por este
caminho era muito perigoso por causa da criminalidade e me indicaram
muito a seguir por outra estrada ao leste da Guatemala rumo a
fronteira com o México que era mais seguro. Como precisaria pegar
esta estrada a partir da cidade da Guatemala, aceitei o convite de
dormir em sua casa.

Bom depois do almoço, dexei minhas mochilas na casa de Rogério e ele me
acompanhou até a Antigua Guatemala de bicicleta. Por
infelicidade, o tempo estava ruim e começou a cair uma forte chuva
que durou quase a tarde toda. Mas lá fomos nós conhecer as ruinas
da Antingua Guatemala destruída com o terromoto que aconteceu em
1708.
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Eu recomendo ir visitar esta cidade, é uma aventura
inesquecível voltar mais de 3 séculos no tempo, ver os
grandes palácios, piramides e conhecer sua história.
A cidade foi fundada em 1543 e nela se
conservam quase 500 anos de história. Os seus edifícios tem
grande valor histórico e, em 1979, foi declarada
Patrimônio Mundial
da Unesco. |
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De volta pra casa, no dia seguinte me despedi da simpática família e
tomando a estrada ao leste a partir da cidade da Guatemala,
continuei minha viagem. Estava bem cansado, mas por sorte logo
peguei uma descida de 16 km e foi um alívio para as minhas pernas.
Já eram 3 horas da tarde quando parei para almoçar na cidade de
Palin, a 40 km da capital quando
caiu uma forte chuva que me obrigou a ficar por ali para passar a
noite junto ao alojamento do Corpo de Bombeiros voluntários.
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No dia 20 de maio, tive que acelerar nas pedaladas e depois
de 113 km, cheguei na cidade de San
Antonio onde também fui muito bem recebido pelos
bombeiros voluntários. Dali partir para a cidade de
Pajapita, minha última
noite na Guatemala. |
Naquela noite de terça-fera, tive que esperar o chefe do Corpo de
Bombeiros que tinha ido para a Igreja com sua família, e assim poder
autorizar passar a noite ali.
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Quarta-feira 22 de maio chegou, e após 15 km de Pajapita,
estava cruzando a fronteira para o
México. Foi aqui que me deparei com um tipo de
transporte muito comum, o
ciclo-taxi. É uma bicicleta adapitada para
servir a comunidade mais carente em pequenas corridas pela
cidade, bem como ir para feira, para o banco, para levar as
crianças para escola e outras pequenas rotas. |
Existe até um sidicato dos triciclos-taxistas que defendem os
direitos desses dezenas de trabalhadores.
Uma ponte divide esses dois países e já em território mexicano
troquei o resto de meus quetzales por pesos. Agora aqui estamos na
primavera, e por primeira vez o governo aderiu ao horário de verão
que vai de 27 de abril até meados de outubro. Quando conversava
com os mexicanos eles não aprovaram essa atitude e muitos diziam que
o presidente estava querendo ser Deus.
Nesse mesmo dia pedalei um total de 80 km quando cheguei no trevo de
acesso para a cidade de Huehuetan
e ali parei em uma lanchonete para jantar e logo caiu uma forte
chuva.

A tia da lanchonete estava sem pão e o
jeito foi chamar um ciclo-taxi para me levar para comprar o meu
lanche em outro lugar. Deixei minha bicicleta com a tia e lá fui eu
. A corrida foi de 1,6 km que durou cerca de trinta minutos e
paguei 3 pesos pelo serviço ($0.50). Pela primeira vez, tive que
dormir na rua, porque a tia da lanchonete não quiz que eu armasse
minha barraca em seu quintal e tive que estender meu saco de dormir
numa parte coberta ao lado da lanchonete. Naquela noite de 22 de
maio foi a pior noite da viagem, além de não ter tomado banho, não
consegui pegar no sono por causa barulho dos carros e também das
luzes em minha cara.
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Bom, passado o pesadelo, levantei pela manhã e continuei
viagem pelo litoral do pacífico rumo a cidade de Acapulco.
A 16 km dali, o velocímetro parou de fucionar no trevo para
Huixtla e tive que entrar nessa cidade para tentar consertar
mas foi em vão e perdir mais de 4 horas. Mas logo que
alcancei a estrada, o velocímetro resolveu funcionar por
conta própria; imaginem o que eu queria fazer...
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Nesse
dia pedalei 93 km até chegar no município de
Escuintla onde fui gentilmente atendendido pelos
policias que me cederam alojamento. Saindo da cidade, me deparei
com uma inspenção de imigração para averiguar documentos e tive que
mostrar meu passaporte bem como minha bagagem. No sul do
México, a cada 50 km tem uma inspenção de imigração para barrar
possíveis centro e sul americanos ilegais no país com o intuito de
alcançar a fronteira dos Etados Unidos. Eu obtive um carimbo com
validade de trinta dias para ficar no México legalmente, mas acabei
ficando um dia a mais.

A 28 km de Pijijiapan, caiu bem encima de mim, aquela tradicional
chuva de final de tarde e o velocímetro parou de funcionar
novamente. O relevo do México é muito parecido com o do Brasil,
bastante montanhoso, impedindo assim que pedalasse mais rápido e por
volta das 20:30 hrs, 108 km pedalados, cheguei ao batalhão de
polícia militar de Pijijiapan,
no qual também fui generosamente recebido.
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Acordei para o dia 25 de maio e o velocímetro ainda não quiz
funcionar e tive que continuar assim mesmo. Até tentei
comprar outro, mas me custaria $50 doláres e decidi não
comprar. Nesse dia peguei muitas descidas e aproveitei para
acelerar. O tempo estava nublado mas o desepenho foi bom e
depois de 80 km parei na cidade de
Tonala para almoçar. |
Duas coisa boas aconteceram depois de almoço, o sol apareceu e o
velocímetro voltou a funcionar normalmente. De acordo com o
projeto eu iria dormir em Tonalá mas resolvi pedalar mais 28 km até
chegar na cidade de Arriaga.
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Aqui, também consegui alojamento junto a polícia e a noite
sair para comprar o meu lanche e achei uma lanchonete que
vendia o nosso famoso chamado churrasco a grega
e comi dois. Desde a fronteira com a Guatemala, pedalei
pela estrada Mex 200 que é duplicada mas a partir de Arriaga
entrei na estrada Mex 190 que é pista única. |
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Daqui pedalei os 101 km tranquilamente para alcançar quartel da
polícia da cidade de Niltepec
onde passei a noite. No dia seguinte, o caminho foi bastante plano,
e uma bela vista do litoral do oceano pacífico quando cheguei na
cidade de Salina Cruz no Estado
de Oxaca. Devido ao mal tempo do dia 28 de maio, pedalei apenas 68
km até ao município de Santiago
e armei minha barraca pela 24º vez numa casa em contrução. A chuva
continuou e apenas recomecei minha viagem depois da 1 hora da tarde.

Almocei ali mesmo e pedali 61 km até ser parado pela chuva novamente
no município de Tangolunda.
Aqui conheci uma simpática família de
nome Rusbe que me convidou para passar a noite em sua
casa. Dessa vez eu dormir numa cama confortável porque até aqui
apesar de conseguir alojamento na polícia, não havia cama e tive que
dormir dentro do saco. Na quinta-feira dia 30 de maio, pedalei 53
km e parei para almoçar em um restaurante no trevo de acesso para
Pachutla.
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Equanto escrevia meu diário de viagem, lá fora chovia forte
e durou o resto do dia. Fiz amizade com a dona do
restaurante que me autorizou a dormir ali aonde está a
bicicleta. Sua simpática e bonita filha e a garçonete
conversávam comigo sobre os costumes de sua região quando
uma delas, pegou um inseto que voava de boa perto da luz,
arrancou o seu rabo e comeu. |
Achei muito estranho esse costume e mais estranho ainda quando ela
de chama por Érika de 16 anos de idade, me ofereceu para comer. O
nome do inseto se chama Xicatana
e é comestível para eles. Bom, no outro dia continuou chovendo o
dia inteiro e ali tive que ficar até as 15:00 hrs e só depois
continuei viagem.
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Dali foram 78 km até chegar no famoso balneário de
Puerto Escondido, muito
frequentado por surfistas. Aqui consegui alojamento na
Polícia Turística, mas por não haver dormitórios o policial
que me atendeu, ofereceu pra eu dormir no banheiro das
mulheres e ali estendi meu saco de dormir. |
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Os
policiais dormem no chão e nos bancos de espera sem o menor
conforto. Lá pelas 3 horas da madrugada veio um policial que abriu
a porta do banheiro e acordei dizendo hola. Depois de 15 minutos,
ele veio com mais dois policiais armados e tive explicar minha
situação pois o policial que me atendeu estava dormindo. Tudo bem,
amanheceu o dia e segui viagem.
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No dia primeiro de junho eu iria passar a noite na cidade de
Jamiltepec, mas a 15 km antes parei numa lanchonete para
jantar e passei a noite ali mesmo numa rede após ter feito
amizade com a simpática família daquele estabelecimento.
Aqui tomei banho de caneca num banheiro do lado de fora da
casa que é normal entre as famílias de baixa renda. |
Pela manhã, tomamos café juntos, agradeci muito pela hospitalidade e
pé no pedal. O relevo montanhoso se fazia presente e depois de 101
km parei na Polícia Preventiva Municipal
de Cuajinicuilapa, no Estado de Guerreiro, para
passar a noite. Naquela noite aconteceu algo de engraçado comigo,
dei uma saída para comprar um gatorade e vinha tomando no caminho
quando parou um mendigo em minha frente, pegou a garrafa de gatorade
de minha mão, tomou o resto que tinha, devolveu a garrafa e saiu sem
falar nada. Que tipo?
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Nada como um dia depois do outro, e no dia 3 de junho
pedalei 104 km até o município de
Cruz Grande mas me foi negado alojamento
pelos policiais por haver muitas armas e etc. Mas Deus
sempre nos ajuda e ali mesmo apareceram um casal professores
de 1º grau e me convidaram para jantar e passar a noite em
sua casa onde dormi numa rede. |
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Eles
estavam em greve exigindo 100% de aumento de salários. Fizemos uma
boa amizade, batemos uma foto e continuei minha viagem rumo a
Acapulco, mas devido ao forte relevo montanhoso, fui obrigado a
parar 20 km antes na região de Três Palos
e passar a noite no quartel da polícia onde me foi oferecido um
jantar. Na manhã lavei minha roupa, agradeci pela hospitalidade e
segui para Acapulco.

A
cidade é cercada por montanhas e registrei uma bela imagem em minha
máquina fotográfica. Já na cidade, tomei a av.Costera Miguel Alemán
até chegar na praia onde monumento me chamou atenção e ali mesmo
tomei um banho pela primeira vez em minha vida numa praia do Oceano
Pacífico e pra ser mais emocionante, na praia de Acapulco com vista
para o morro que tem próximo a praia.

Tratei de almoçar por ali mesmo e passar
o resto do dia na praia tomando água de côco. Afinal eu
merecia não é mesmo gentem?
O
fim do dia chegou e ao invéz de procurar um confortável hotel, o
jeito foi procurar um quartel da polícia para me alojar. Quando
emcontrei, fui muito bem recebido pelos soldados e por um tenente,
mas quando fui apresentado ao capitão para autorizar eu ficar ali,
ele nem se quer olhou em minha cara e negou alojamento.
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Porém o Deus de Abraão, Isaque e Jacó não dorme e logo que
ia saindo para ir embora, fui chamado pelo
Comandante Geral Beijamin Várquez
que me cedeu alojamento em uma sala com ar
condicionado. |
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Ainda tive tempo de ver o comandante e mais alguns oficiais
incluindo o capitão
que me negou alojamento, jogarem uma desputada partida de
basquete.
Assim que a noite caiu, tratei de ir dormir porque sabia que
iria pedalar morro acima para chegar na cidade do México a
mais de 2.235 m de altitude. |
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Pela manhã agradeci aos policiais pegando o carimbo do quartel em
minha agenda, respirei fundo e pé no pedal. Após 84 km cheguei na
cidade de 120.000 habitantes chamado Ocotito
onde fui generosamente atendido pela polícia preventiva que fica
numa praça. Aqui estava observando um grupo de jovens garotas
jogando vôlei quando a bola veio em minha direção e entrei para a
roda também. Elas foram muito simpáticas me perguntando sobre minha
viagem e uma delas que se chamava Rocio, me perguntou se eu já havia
jantando (cenado), e eu disse que não, então ela me perguntou onde
eu iria comer e disse brincando que seria em sua casa.
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A simpática mexicana Rocio
levou a sério a brincadeira e me levou para jantar em sua
humilde casa. Então foi ali que descobrir que eu era um
bobão e também que podia fazer ligação a cobrar para o
Brasil através do código 09 operadora. Agradeci muito a
ela e sua família e voltei para sozinho a pé para o quartel
da polícia. |
Sexta-feira dia 7 de junho estava começando, e o pesadelo das
subidas também. Nesse dia estava bem cansado e apenas cheguei na
cidade de Zumpango após 64 km
pedalados desde Ocotito. Aqui também consegui apoio na polícia e dei
uma saída para telefonar para o Brasil mas não consegui via
operadora, isso porque nem todas as cidades oferecem esse serviço.
De
Zumpango foram 96 km pedalados em 6 horas e 45 minutos para chegar
na cidade de Iguala onde só
consegui alojamento junto a Cruz Vermelha.

A partir daqui resolvi pegar a autopista de
cota onde as subidas são menos inclinadas e de um melhor
acostamento. O lado negativo dessa estrada que é têm poucos apoios
bem como: borrcharias e lanchonetes.
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Mas lá fui eu morro acima pedalando 110 km em 9 horas e 20
minutos para chegar na cidade de
Cuernavaca onde também me alojei na Cruz
Vermelha. Daqui continuei pela auto pista de cota e depois
de 2 km subindo, pensando eu que iria alcançar uma estrada
mais plana pela frente, avistei uma enorme montanha pela
frente que me fez tremer as pernas. |
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Após
35 km pedalados parei num restaurante comprei o meu almoço.
Continuei subindo mais uns 15 km e depois foram 30 km de sobe e
desce até chegar na cidade do México onde consegui apoio num
hospital da Cruz Vermelha para passar a noite.

A cidade do México é uma cidade bastante
antiga, muito
interessante e como diz o meu caro Engenheiro Piccoli, é proibido
morrer sem antes conhecer esta capital. Foi fundada em
1325 pelos Astecas e sua idioma oficial é o espanhol, tendo também
vários outros dialétos idígenas.
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Possui uma grande rede de metrô com mais de 250 km de
extensão e muitas mais outras curiosidades que vocês acharão
no meu livro.
Saindo do hospital, segui caminho pela avenida 20 de
novembro e cheguei na praça da catedral e palácio nacional,
no coração da cidade. |
Por infelicidade, minha máquina fotográfica estava com o filme
estragado e as fotos que tirei ficaram ruins.
DO MÉXICO PARA ATLANTA: continuando no pedal, resolvi sair um pouco da rota e ir
visitar as Pirâmides
de Teotihuacan. Pedalei apenas 64 km desde o
hospital e consegui alojamento ainda nas proximidades da cidade do
México num posto policial.
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Logo amanhaceu o dia e estava muito curioso para conhecer as
pirâmides de perto. Após 30 km cheguei na zona
arqueológica, pagei 16 Pesos Mexicanos ($2.10) pela entrada,
deixei minha bicicleta em um lugar seguro e levei minha
camara fotográfica. |
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Havia um guia dando informação sobre as pirâmides falando englês
para um grupo de turístas e aproveitei para gravar um pouco da
palestra. Um pouco mais adiante estava a enorme piramide do sol com
seus 230 degraus e ao lado a piramide da lua. Tive a oportunidade
de subir até ao topo da piramide do sol e foi uma enexplicável
sensação.

Como não disponia de muito tempo, não pude ir visitar o museu, mas
já deu pra sentir como deve ser. Depois de bater mais algumas
fotos das pirâmides, peguei minha bicicleta e fui embora. Cheguei
na cidade de Cuautitlán Izcalli
para passar a noite e fui recebido pela cruz vermelha.
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Daqui por diante comecei a me deparar com um clima mais seco
e de relevo mais plano. O dia 13 de junho foi tranquilo e
após 105 km pedalados parei na cidade de
Polotitlan onde fui bem
recebido pela polícia municipal que me cedeu alojamento numa
cela. |
A
pequena cidade estava em festa por seu aniversário e por volta das 3
horas da manhã, chegaram os policiais com uma meia dúzia de bêbados
(borrachos) que tiraram o meu sono. Fiquei olhando aquela cena que
nunca saiu de minha mente, os dois policiais tentando por um bêbado
pra dentro da cela e ele segurando na porta querendo não entrar e os
policiais dizendo a ele: Passe para yá... a mais de meia hora
propriamente contada. Estava tão irritado com aquela cena que
quase me levantei de minha cela e dei um ponta pé naquele bêbado e
dizer o último passe para yá. A noite não foi uma das melhores mas
os policiais foram tão gentis que me ofereceram um café da manhã com
leite e cereais. Fiquei muito grato e tratei de dar no pé.
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Estava eu pedalando rumo a cidade de
Queretaro quando avistei um acidente na
estrada do outro lado e parei para saber as causas. Uma
carreta estava entrando na estrada e veio outro caminhão de
pequeno porte e bateu atrás, o motorista deve ter dormido no
volante mas infelizmente dessa vez ele dormiu pra sempre.
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Foi o segundo e último acidente com vítima
fatal que vi na viagem. Aproveitando a oportunidade eu tenho um
recadinho pra você motorista: primeiramente começa assim: uma pessoa
é considerada "burra"
quando ela não aprende nem com seus próprios
erros; já uma pessoa "inteligente",
aprende com seus próprios erros; porém uma pessoa considerada
“sábia”
aprende com os erros dos outros. Beber e
dirigir têm dois caminhos: o hospital e o cemitério. Portando meu
amigo, seja sábio, entregue sua vida pra Jesus Cristo, pare de beber
e dirija para a igreja.

Chegando em Queretaro, consegui
alojamento na cruz vermelha e dei uma saída para comprar o meu
lanche. Pela manhã, conheci um ciclista que me acompanhou até a
saída da cidade e tomei a estrada Mex 57 para minha próxima parada
para repouso na cidade de San Luis de La
Paz que fica a 7 km da estrada. Lá cheguei as 21:00 hrs
e dormir na cruz vermelha.
Era
domingo dia 16 de junho, mesmo já estando fora da programação de meu
projeto de viagem, devido as chuvas e montanhas, estava eu a exatos
30 dias em bicicleta para chegar na sede dos Jogos Olímpicos de
1996.

Por
volta das 11:00 hrs, encontrei andando pela estrada, um simpático
casal que me fez parar para conversarmos. Ele era membro do Club
Shake e ficou maravilhado com minha viagem ciclística. Disse a ele
que iria ficar na cidade de San Luis Potosí e lá estava ele me
esperando para batermos uma foto. Foram 128 km pedalados em 8 horas
e 51 minutos desde San Luis de La Paz. San
Luis Potosí é uma bonita cidade de mais de 1 milhão de
habitantes e se localiza a 1.860 m de altitude. Aqui fui bem
recebido pela junta da cruz vermelha.
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Na
segunda-feira comecei a descer um pouco na altitude mas em
pista única em fase de duplicação. Pedalando pela estrada Mex 57, 95 km desde San Luis
Potosí, parei para descansar um pouco e ver um acidente com duas
senhoras que capotaram seu carro e por Deus apenas sairam com
ferimentos leves. Ali estavam alguns policiais da cidade de
Huizache, minha próxima parada
para repouso, cobrindo a ocorrência. Os
policiais foram muito simpáticos comigo e até bateram uma
foto de lembrança daquele momento. Bem ali perto havia um
posto da cruz vermelha e perguntei aos policiais se poderia
passar a noite ali, mas eles me disseram que infelizmente só
haviam dois socorristas voluntários e eles acabaram morrendo
em um acidente quando foram atender um outro acidente na
estrada. Mas os policiais me ofereceram ficar no posto
polícia Federal de Caminos onde eles trabahavam, a 14 km
dali em Huizache. |
Nisso chegou uma equipe de reportagem do
Jornal Pulso(clique aqui) para fazer
uma matéria sobre o acidente e acabaram dando mais atenção pra mim e
fizeram um bela reportagem sobre minha viagem com direito a capa de
jornal. Logo que cheguei ao município de Huizache, encontrei o
posto da polícia Federal de Caminos e os policiais que estavam de
plantão, já estavam me esperando para me ceder alojamento sem
cerimônia. Pela manhã de terça-feira, os policiais tiveram
agentileza de ir cedo comprar para mim o jornal Pulso para eu levar
de recordação.
Continuando rumo a cidade de Matehuala para passar a
noite, tive a oportunidade de cruzar a linha do trópico de cancer
numa altitude de 1.520 metros. A placa mais ao fundo da foto
também indica a longitude e latitude
daquele local.

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Em Matehuala, encontrei
em um restaurante onde estava jantanto, um senhor de nome
Tomás Ferrándiz Calvet,
mexicano, em 1977 foi o único acrobata sobre moto do mundo.
Famoso por suas proesas sobre duas rodas, ele fez questão de
pagar o meu jantar e me convidou para ir dormir em sua casa
mas me pediu para tirar os olhos de sua filha de 15 anos. O
senhor Tomás ficou muito honrado em me ter com hóspide e
parabenizou-me por minha coragem. Acordamos cedo e tomei
café da manhã com ele e sua família.
Seguindo minha rota, pedalei 130 km em pouco mais de 9 horas
e meia para chegar no município de
San Roberto onde consegui apoio junto a Polícia
Federal de Caminos. |
Daqui eram mais 138 km até Saltillo,
cidade de meio milhão de habitantes e localizada a 1.600 metros de
altitude. Aqui consegui alojamento junto a cruz vermelha e estava a
300 km da fronteira com os Estados Unidos. Saindo de Saltillo, o
destino do dia era chegar em Monterrey, localizada a cerca de um mil
metros a menos em altitude em relação a Saltillo. Comecei a descer
as montanhas que para nós ciclistas é uma emoção muito grande mas
quando estamos subindo... A paisagem não era muito comum de se ver,
enormes montanhas sem árvores e uma vegetação baixa.
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Devido ao grande atraso para consertar um furo de pneu,
pedalei pouco e armei minha barraca pela 25º vez embaixo de
um caminhão na entrada da cidade que leva o nome de meu
Estado, Santa Catarina, a 11 km para chegar em Monterrey. |
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Esta cidade e de mais de 1 milhão de habitantes mas por aqui apenas
tomei o meu café da manhã e segui viagem rumo a Nuevo Laredo,
fronteira com os Estados Unidos. Já estava a trinta dias viajando
pelo México e no meu penúltimo dia pedalei 133 km pela estrada Mex
85 até chegar na cidade de Sabinas Hidalgo. Aqui fui atendido pela
cruz vermelha onde passei a noite.
No meu último dia e última noite no México, apertei o passo
novamente e pedalei 132 km em 8 horas e 50 minutos para chegar em
Nuevo Laredo por volta das 22:30 hrs. Até aqui foram 13.324 km
pedalados em 919 horas em bicicleta.

Nesse dia, bem perto da fronteira, encontrei um casal de brasileiros
que estavam numa moto dando a volta ao mundo. Eles são de São
Paulo e vieram para os Estados Unidos, compraram a moto e as
bagagens em Miami e aqui nos encontramos. Batemos uma foto e nos
despedimos nos desejando uma boa viagem. Em Nuevo Laredo, consegui
alojamento na cruz vermelha e dormir encima de uma mesa na sala de
cirurgia e pela vidraça eu via as luzes da cidade acesa.
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Ciclista Adilson Joe
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