Pedalando Pela Paz

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      A qualidade da estrada também era péssima impedindo que andasse rápido.   Depois de 40 km da fronteira, peguei uma nuvem carregada de chuva que caiu bem em cima de mim e eu estava sem como me abrigar, enrolei o gravador num plástico e tive que continuar ate encontrar uma guarita policial abandonada onde havia também um senhor esperando a chuva passar.  O senhor que estava comigo me ofereceu seu lenço para eu secar o meu gravador porque tudo o que tinha estava molhado.   Nesse meio tempo que durou  mais de meia hora ate a chuva passar, o senhor me disse que as chuvas são mais freqüentes por causa do inverno que vai ate outubro.    O tempo que perdi foi cruel para alcançar o km 100, mas pé no pedal por que eu não podia perder tempo.   No KM 60 entrei num povoado para almoçar e voltei para estrada.   15 km mais avistei outra chuva chegando, era o fim da esperança de completar meu objetivo antes de anoitecer..   O engraçado é que do meu lado direito e esquerdo estavam negros com nuvens de chuva, mas na minha frente e atras estavam claros e percebia as nuvens dos dois lados se fecharem e formarem a chuva que durou mais 40 minutos.   Dessa vez parei numa lanchonete de esquina antes da chuva começar onde havia algumas pessoas esperando ônibus.   Sentia naquele momento frio por causa do vento que fazia e ainda estava um pouco molhado minhas roupas.   Era uma quinta-feira e durante a chuva eu confesso que pensei pegar um ônibus também, porque seria fatal se eu chegasse na Guatemala na sexta-feira no final do dia, teria que ficar o final de semana na cidade para poder ir na Embaixada do México para pegar o visto, mas achei melhor não.   A noite já estava chegando e resolvi continuar assim mesmo.    Coloquei o farol mas logo a pilha foi pro beleleu e a única coisa que me restava para iluminar meu caminho era Deus e a faixa branca do meio da estrada, e minha sorte é que não tinha quase nenhum tráfico de veículos.   O que me deu raiva não foi ficar sem iluminação andando pelo meio da estrada arriscando a vida quando vinha um carro tendo que sair para o acostamento, o que me enfureceu foi andar mais de 20 km descendo serra sem poder passar de 15 km/h porque eu não enxergava nada, pois a noite foi bem escura.  Ao final da serra, cheguei numa urbanização por volta de 20:00 hrs onde encontrei um senhor com uma lanterna ao qual tomei informações de onde encontraria a próxima cidade.  Nisso chegou uma viatura da polícia perguntando o que estava acontecendo e o senhor explicou a eles sobre o meu caso.  Os policiais me alertaram que eu na podia viajar a noite por aquela região que eu seria um alvo fácil para um assalto.   Antes de eu perguntar a eles se podia dormir no quartel da polícia, o senhor me sugeriu passar a noite na casa de um amigo perto dali, mas pedi que a policia nos acompanhasse também.   Chegando na casa, uma senhora nos atendeu dizendo que não podia me ajudar, mas eu disse a ela que tinha uma barraca e que se podia armar no seu quintal por questão de segurança, então começou a seção “tenho que falar com meu filho, que o filho tem que falar com o irmão mais velho, que o irmão mais velho tem que falar com o tio até chegar no cachorro que participou da discussão e etc” .   Já passavam mais de 10 minutos tentando convencer a família a me ajudar, no final apareceu até o avô e a avó para autorizar que dormisse ali.   O policial já não estava suportando essa embromação e foi fundo dizendo que seria apenas um gesto de humanidade, então ele mostrou minha agenda com os carimbos por onde passei com meu passaporte e finalmente aquela família tão desconfiada de mim, deixou dormir dentro de sua casa no chão da varanda colocando uma esteira para eu deitar.    Agradeci muito a Deus por estar passando aquela noite que poderia ter sido pior, numa casa de família descansando tranqüilo para enfrentar na sexta-feira, os 74 km quase tudo sobindo que ainda restavam para chegar na capital daquele pais, pois Guatemala ficava a mais de 1.200 metros de altitude.   

Só que eu fui forçado depois de 25 km dali, aceitar uma carona até a capital Guatemala chegando lá pouco antes de almoço e fui direto a Embaixada do México para pegar o visto.   

 

Agora sim, estou com todos os vistos no passaporte e aproveitei para dar uma volta na cidade.   

 

A cidade é muito interessante conhecer, preserva seus grandes palácios e igrejas que fazem parte de sua história, bem como o Palácio Nacional onde fica o Presidente. 
Pela primeira vez me foi negado alojamento na Cruz Vermelha, então fui tentar junto ao Quartel General da Polícia bem próximo ao Palácio do Governo onde fui atentido com muito honra por todos os policiais.    O Quartel é enorme construído a mais de 73 anos.  Aqui fiquei alojado no quarto dos oficiais e o tenente mandou o sargento comprar o meu jantar.    

 Logo depois de comer, o tenente ligou para uma rádio, e me perguntou se eu poderia seder uma entrevista por telefone e desenrolei o espanhol.

Os policiais disseram que a cidade da Guatemala foi contruída a partir de um vale, que se chamava Valle de la Ermita, logo depois do enorme terremoto que destruiu a cidade da Antigua Guatemala em 1775.   

Até aqui pedalei 9.960,7m em quase 700 horas em bicicleta, gastei perto de $2,430.00 dolares e tomei 401 litros de água.   A moeda aqui é o Quetzal, ganhou este nome em 1925 por causa da ave quetzal.   Fui no correio para passar um fax para o Brasil e me custaria mais de $5.00 dolares por folha, então eu resolvi mandar por avião.

 

DE GUATEMALA PARA MÉXICO: estava a pouco mais de 40 km da cidade da Antigua Guatemala, que fica cerca de 53 m a mais de altitude e também resolvi conhecer por indicação dos próprio policiais do Quartel General.  

Faltando 25 km para chegar, encontrei com um ciclista guatemalteco que se chamava Rorgério.  Ele estava me acompanhando numa das subidas e logo fizemos amizade.    Já estava perto da hora do almoço e Rorgério me convidou para almoçar na casa de seus pais  e depois ele  promoteu que me levaria até a Antigua Guatemala para me mostrar um pouco da história da cidade. 

  Achei que ele queria ser gentil e aceitei o convite.   Em sua casa, toda sua família me recebeu com muito orgulho e também me convidaram para passar a noite em sua casa.   Eu não iria aceitar, mas quando disse que estava indo para Chimaltenango,  eles me disseram que por este caminho era muito perigoso por causa da criminalidade e me indicaram muito a seguir por outra estrada ao leste da Guatemala rumo a fronteira com o México que era mais seguro.   Como precisaria pegar esta estrada a partir da cidade da Guatemala, aceitei o convite de dormir em sua casa.

       

 

    

Bom depois do almoço, dexei minhas mochilas na casa de Rogério e ele me acompanhou até a Antigua Guatemala de bicicleta.    Por infelicidade, o tempo estava ruim e começou a cair uma forte chuva que durou quase a tarde toda.   Mas lá fomos nós  conhecer as ruinas da Antingua Guatemala destruída com o terromoto que aconteceu em 1708.  

Eu recomendo ir visitar esta cidade, é uma aventura inesquecível voltar mais de 3 séculos no tempo, ver os grandes palácios, piramides e conhecer sua história.  A cidade foi fundada em 1543 e nela se conservam quase 500 anos de história. Os seus edifícios tem grande valor histórico e, em 1979, foi declarada Patrimônio Mundial da Unesco.

   De volta pra casa, no dia seguinte me despedi da simpática família e tomando a estrada ao leste a partir da cidade da Guatemala, continuei minha viagem. Estava bem cansado, mas por sorte logo peguei uma descida de 16 km e foi um alívio para as minhas pernas. Já eram 3 horas da tarde quando parei para almoçar na cidade de Palin, a 40 km da capital quando caiu uma forte chuva que me obrigou a ficar por ali para passar a noite junto ao alojamento do Corpo de Bombeiros voluntários.  

No dia 20 de maio, tive que acelerar nas pedaladas e depois de 113 km, cheguei na cidade de San Antonio onde também fui muito bem recebido pelos bombeiros voluntários.  Dali partir para a cidade de Pajapita, minha última noite na Guatemala.  

  Naquela noite de terça-fera, tive que esperar o chefe do Corpo de Bombeiros que tinha ido para a Igreja com sua família, e assim poder autorizar passar a noite ali.

Quarta-feira 22 de maio chegou, e após 15 km de Pajapita, estava cruzando a fronteira para o México Foi aqui que me deparei com um tipo de transporte muito comum, o ciclo-taxi.   É uma bicicleta adapitada para servir a comunidade mais carente em pequenas corridas pela cidade, bem como ir para feira, para o banco, para levar as crianças para escola e outras pequenas rotas.

 

Existe até um sidicato dos triciclos-taxistas que defendem os direitos desses dezenas de trabalhadores. 

           Uma ponte divide esses dois países e já em território mexicano troquei o resto de meus quetzales por pesos.  Agora aqui estamos na primavera, e por primeira vez o governo aderiu ao horário de verão que vai de 27 de abril até meados de outubro.   Quando conversava com os mexicanos eles não aprovaram essa atitude e muitos diziam que o presidente estava querendo ser Deus.  

Nesse mesmo dia pedalei um total de 80 km quando cheguei no trevo de acesso para a cidade de Huehuetan e ali parei em uma lanchonete para jantar e logo caiu uma forte chuva.  

A tia da lanchonete estava sem pão e o jeito foi chamar um ciclo-taxi para me levar para comprar o meu lanche em outro lugar.   Deixei minha bicicleta com a tia e lá fui eu .   A corrida foi de 1,6 km que durou cerca de trinta minutos e paguei 3 pesos pelo serviço ($0.50).   Pela primeira vez, tive que dormir na rua, porque a tia da lanchonete não quiz que eu armasse minha barraca em seu quintal e tive que estender meu saco de dormir numa parte coberta ao lado da lanchonete.   Naquela noite de 22 de maio foi a pior noite da viagem, além de não ter tomado banho, não consegui pegar no sono por causa barulho dos carros e também das luzes em minha cara.         

Bom, passado o pesadelo, levantei pela manhã e continuei viagem pelo litoral do pacífico rumo a cidade de Acapulco.   A 16 km dali, o velocímetro parou de fucionar no trevo para Huixtla e tive que entrar nessa cidade para tentar consertar mas foi em vão e perdir mais de 4 horas.   Mas logo que alcancei a estrada, o velocímetro resolveu funcionar por conta própria; imaginem o que eu queria fazer...  

  

 Nesse dia pedalei 93 km até chegar no município de Escuintla onde fui gentilmente atendendido pelos policias que me cederam alojamento.  Saindo da cidade, me deparei com uma inspenção de imigração para averiguar documentos e tive que mostrar meu passaporte bem como minha bagagem.   No sul do México, a cada 50 km tem uma inspenção de imigração para barrar possíveis centro e sul americanos ilegais no país com o intuito de alcançar a fronteira dos Etados Unidos.  Eu obtive um carimbo com validade de trinta dias para ficar no México legalmente, mas acabei ficando um dia a mais.

 

           A 28 km de Pijijiapan, caiu bem encima de mim, aquela tradicional chuva de final de tarde e o velocímetro parou de funcionar novamente.  O relevo do México é muito parecido com o do Brasil, bastante montanhoso, impedindo assim que pedalasse mais rápido e por volta das 20:30 hrs, 108 km pedalados, cheguei ao batalhão de polícia militar de Pijijiapan, no qual também fui generosamente recebido. 

Acordei para o dia 25 de maio e o velocímetro ainda não quiz funcionar e tive que continuar assim mesmo. Até tentei comprar outro, mas me custaria $50 doláres e decidi não comprar.  Nesse dia peguei muitas descidas e aproveitei para acelerar.   O tempo estava nublado mas o desepenho foi bom e depois de 80 km parei na cidade de Tonala para almoçar. 

Duas coisa boas aconteceram depois de almoço, o sol apareceu e o velocímetro  voltou a funcionar normalmente.  De acordo com o projeto eu iria dormir em Tonalá mas resolvi pedalar mais 28 km até chegar na cidade de Arriaga

Aqui, também consegui alojamento junto a polícia e a noite sair para comprar o meu lanche e achei uma lanchonete que vendia o nosso famoso chamado churrasco a grega e comi dois.  Desde a fronteira com a Guatemala, pedalei pela estrada Mex 200 que é duplicada mas a partir de Arriaga entrei na estrada Mex 190 que é pista única. 

 

Daqui pedalei os 101 km tranquilamente para alcançar quartel da polícia da cidade de Niltepec onde passei a noite.  No dia seguinte, o caminho foi bastante plano, e uma bela vista do litoral do oceano pacífico quando cheguei na cidade de Salina Cruz no Estado de Oxaca.  Devido ao mal tempo do dia 28 de maio, pedalei apenas 68 km até ao município de Santiago e armei minha barraca pela 24º vez numa casa em contrução.  A chuva continuou e apenas recomecei minha viagem depois da 1 hora da tarde.   

Almocei ali mesmo e pedali 61 km até ser parado pela chuva novamente no município de Tangolunda.   Aqui conheci uma simpática família de nome Rusbe que me convidou para passar a noite em sua casa.  Dessa vez eu dormir numa cama confortável porque até aqui apesar de conseguir alojamento na polícia, não havia cama e tive que dormir dentro do saco.   Na quinta-feira dia 30 de maio, pedalei 53 km e parei para almoçar em um restaurante no trevo de acesso para Pachutla

Equanto escrevia meu diário de viagem, lá fora chovia forte e durou o resto do dia.   Fiz amizade com a dona do restaurante que me autorizou a dormir ali aonde está a bicicleta.  Sua simpática e bonita filha e a garçonete conversávam comigo sobre os costumes de sua região quando uma delas, pegou um inseto que voava de boa perto da luz, arrancou o seu rabo e comeu. 

Achei muito estranho esse costume e mais estranho ainda quando ela de chama por Érika de 16 anos de idade, me ofereceu para comer.   O nome do inseto se chama Xicatana e é comestível para eles.  Bom, no outro dia continuou chovendo o dia inteiro e ali tive que ficar até as 15:00 hrs e só depois continuei viagem.  

Dali foram 78 km até chegar no famoso balneário de Puerto Escondido, muito frequentado por surfistas.  Aqui consegui alojamento na Polícia Turística, mas por não haver dormitórios o policial que me atendeu, ofereceu pra eu dormir no banheiro das mulheres e ali estendi meu saco de dormir. 

 Os policiais dormem no chão e nos bancos de espera sem o menor conforto.   Lá pelas 3 horas da madrugada veio um policial que abriu a porta do banheiro e acordei dizendo hola.   Depois de 15 minutos, ele veio com mais dois policiais armados e tive explicar minha situação pois o policial que me atendeu estava dormindo.  Tudo bem, amanheceu o dia e segui viagem. 

No dia primeiro de junho eu iria passar a noite na cidade de Jamiltepec, mas a 15 km antes parei numa lanchonete para jantar e passei a noite ali mesmo numa rede após ter feito amizade com a simpática família daquele estabelecimento.  Aqui tomei banho de caneca num banheiro do lado de fora da casa que é normal entre as famílias de baixa renda.

  Pela manhã, tomamos café juntos, agradeci muito pela hospitalidade e pé no pedal.   O relevo montanhoso se fazia presente e depois de 101 km parei na Polícia Preventiva Municipal de Cuajinicuilapa, no Estado de Guerreiro, para passar a noite.  Naquela noite aconteceu algo de engraçado comigo, dei uma saída para comprar um gatorade e vinha tomando no caminho quando parou um mendigo em minha frente, pegou a garrafa de gatorade de minha mão, tomou o resto que tinha, devolveu a garrafa e saiu sem falar nada.   Que tipo?

Nada como um dia depois do outro, e no dia 3 de junho pedalei 104 km até o município de Cruz Grande mas me foi negado alojamento pelos policiais por haver muitas armas e etc.   Mas Deus sempre nos ajuda e ali mesmo apareceram um casal professores de 1º grau e me convidaram para jantar e passar a noite em sua casa onde dormi numa rede. 

 Eles estavam em greve exigindo 100% de aumento de salários.  Fizemos uma boa amizade, batemos uma foto e continuei minha viagem rumo a Acapulco, mas devido ao forte relevo montanhoso, fui obrigado a parar 20 km antes na região de Três Palos e passar a noite no quartel da polícia onde me foi oferecido um jantar.  Na manhã lavei minha roupa, agradeci pela hospitalidade e segui para Acapulco.  

A cidade é cercada por montanhas e registrei uma bela imagem em minha máquina fotográfica.  Já na cidade, tomei a av.Costera Miguel Alemán até chegar na praia onde monumento me chamou atenção e ali mesmo tomei um banho pela primeira vez em minha vida numa praia do Oceano Pacífico e pra ser mais emocionante, na praia de Acapulco com vista para o morro que tem próximo a praia. 

Tratei de almoçar por ali mesmo e passar o resto do dia na praia tomando água de côco.  Afinal eu merecia não é mesmo gentem? 

 

         O fim do dia chegou e ao invéz de procurar um confortável hotel, o jeito foi procurar um quartel da polícia para me alojar.  Quando emcontrei, fui muito bem recebido pelos soldados e por um tenente, mas quando fui apresentado ao capitão para autorizar eu ficar ali, ele nem se quer olhou em minha cara e negou alojamento.  

Porém o Deus de Abraão, Isaque e Jacó não dorme e logo que ia saindo para ir embora, fui chamado pelo Comandante Geral Beijamin Várquez que me cedeu alojamento em uma sala com ar condicionado. 
Ainda tive tempo de ver o comandante e mais alguns oficiais incluindo o capitão que me negou alojamento, jogarem uma desputada partida de basquete.

 

Assim que a noite caiu, tratei de ir dormir porque sabia que iria pedalar morro acima para chegar na cidade do México a mais de 2.235 m de altitude.

   

Pela manhã agradeci aos policiais pegando o carimbo do quartel em minha agenda, respirei fundo e pé no pedal.   Após 84 km cheguei na cidade de 120.000 habitantes chamado Ocotito onde fui generosamente atendido pela polícia preventiva que fica numa praça. Aqui estava observando um grupo de jovens garotas jogando vôlei quando a bola veio em minha direção e entrei para a roda também.  Elas foram muito simpáticas me perguntando sobre minha viagem e uma delas que se chamava Rocio, me perguntou se eu já havia jantando (cenado), e eu disse que não, então ela me perguntou onde eu iria comer e disse brincando que seria em sua casa. 

A simpática mexicana Rocio levou a sério a brincadeira e me levou para jantar em sua humilde casa.  Então foi ali que descobrir que eu era um bobão e também que podia fazer ligação a cobrar para o Brasil através do código 09 operadora.   Agradeci muito a ela e sua família e voltei para sozinho a pé para o quartel da polícia.

  Sexta-feira dia 7 de junho estava começando, e o pesadelo das subidas também.  Nesse dia estava bem cansado e apenas cheguei na cidade de Zumpango após 64 km pedalados desde Ocotito. Aqui também consegui apoio na polícia e dei uma saída para telefonar para o Brasil mas não consegui via operadora, isso porque nem todas as cidades oferecem esse serviço.  

De Zumpango foram 96 km pedalados em 6 horas e 45 minutos para chegar na cidade de Iguala onde só consegui alojamento junto a Cruz Vermelha. 

A partir daqui resolvi pegar a autopista de cota onde as subidas são menos inclinadas e de um melhor acostamento.  O lado negativo dessa estrada que é têm poucos apoios bem como: borrcharias e lanchonetes. 

Mas lá fui eu morro acima pedalando 110 km em 9 horas e 20 minutos para chegar na cidade de Cuernavaca onde também me alojei na Cruz Vermelha.  Daqui continuei pela auto pista de cota e depois de 2 km subindo, pensando eu que iria alcançar uma estrada mais plana pela frente, avistei uma enorme montanha pela frente que me fez tremer as pernas. 

 Após 35 km pedalados parei num restaurante comprei o meu almoço.  Continuei subindo mais uns 15 km e depois foram 30 km de sobe e desce até chegar na cidade do México onde consegui apoio num hospital da Cruz Vermelha para passar a noite.

A cidade do México é uma cidade bastante antiga, muito interessante e como diz o meu caro Engenheiro Piccoli, é proibido morrer sem antes conhecer esta capital.  Foi fundada em 1325 pelos Astecas e sua idioma oficial é o espanhol, tendo também vários outros dialétos idígenas. 

Possui uma grande rede de metrô com mais de 250 km de extensão e muitas mais outras curiosidades que vocês acharão no meu livro. 

 

Saindo do hospital, segui caminho pela avenida 20 de novembro e cheguei na praça da catedral e palácio nacional, no coração da cidade. 

Por infelicidade, minha máquina fotográfica estava com o filme estragado e as fotos que tirei ficaram ruins.

 

DO MÉXICO PARA ATLANTA: continuando no pedal, resolvi sair um pouco da rota e ir visitar as Pirâmides de Teotihuacan.  Pedalei apenas 64 km desde o hospital e consegui alojamento ainda nas proximidades da cidade do México num posto policial. 

Logo amanhaceu o dia e estava muito curioso para conhecer as pirâmides de perto.  Após 30 km cheguei na zona arqueológica, pagei 16 Pesos Mexicanos ($2.10) pela entrada, deixei minha bicicleta em um lugar seguro e levei minha camara fotográfica.  

 

Havia um guia dando informação sobre as pirâmides falando englês para um grupo de turístas e aproveitei para gravar um pouco da palestra. Um pouco mais adiante estava a enorme piramide do sol com seus 230 degraus e ao lado a piramide da lua.  Tive a oportunidade de subir até ao topo da piramide do sol e foi uma enexplicável sensação.  

 

 

Como não disponia de muito tempo, não pude ir visitar o museu, mas já deu pra sentir como deve ser.   Depois de bater mais algumas fotos das pirâmides, peguei minha bicicleta e fui embora.  Cheguei na cidade de Cuautitlán Izcalli para passar a noite e fui recebido pela cruz vermelha. 

Daqui por diante comecei a me deparar com um clima mais seco e de relevo mais plano.  O dia 13 de junho foi tranquilo e após 105 km pedalados parei na cidade de Polotitlan onde fui bem recebido pela polícia municipal que me cedeu alojamento numa cela. 

 A pequena cidade estava em festa por seu aniversário e por volta das 3 horas da manhã, chegaram os policiais com uma meia dúzia de bêbados (borrachos) que tiraram o meu sono.  Fiquei olhando aquela cena que nunca saiu de minha mente, os dois policiais tentando por um bêbado pra dentro da cela e ele segurando na porta querendo não entrar e os policiais dizendo a ele: Passe para yá... a mais de meia hora propriamente contada.   Estava tão irritado com aquela cena que quase me levantei de minha cela e dei um ponta pé naquele bêbado e dizer o último passe para yá.  A noite não foi uma das melhores mas os policiais foram tão gentis que me ofereceram um café da manhã com leite e cereais.   Fiquei muito grato e tratei de dar no pé.  

Estava eu pedalando rumo a cidade de Queretaro quando avistei um acidente na estrada do outro lado e parei para saber as causas.   Uma carreta estava entrando na estrada e veio outro caminhão de pequeno porte e bateu atrás, o motorista deve ter dormido no volante mas infelizmente dessa vez ele dormiu pra sempre. 

Foi o segundo e último acidente com vítima fatal que vi na viagem.  Aproveitando a oportunidade eu tenho um recadinho pra você motorista: primeiramente começa assim: uma pessoa é considerada "burra" quando ela não aprende nem com seus próprios erros; já uma pessoa "inteligente", aprende com seus próprios erros; porém uma pessoa considerada “sábia” aprende com os erros dos outros.  Beber e dirigir têm dois caminhos: o hospital e o cemitério.  Portando meu amigo, seja sábio, entregue sua vida pra Jesus Cristo, pare de beber e dirija para a igreja.

Chegando em Queretaro, consegui alojamento na cruz vermelha e dei uma saída para comprar o meu lanche.   Pela manhã, conheci um ciclista que me acompanhou até a saída da cidade e tomei a estrada Mex 57 para minha próxima parada para repouso na cidade de San Luis de La Paz que fica a 7 km da estrada.  Lá cheguei as 21:00 hrs e dormir na cruz vermelha.  

              Era domingo dia 16 de junho, mesmo já estando fora da programação de meu projeto de viagem, devido as chuvas e montanhas, estava eu a exatos 30 dias em bicicleta para chegar na sede dos Jogos Olímpicos de 1996. 

 Por volta das 11:00 hrs, encontrei andando pela estrada, um simpático casal que me fez parar para conversarmos.  Ele era membro do Club Shake e ficou maravilhado com minha viagem ciclística.   Disse a ele que iria ficar na cidade de San Luis Potosí e  lá estava ele me esperando para batermos uma foto. Foram 128 km pedalados em 8 horas e 51 minutos desde San Luis de La Paz.  San Luis Potosí é uma bonita cidade de mais de 1 milhão de habitantes e se localiza a 1.860 m de altitude.  Aqui fui bem recebido pela junta da cruz vermelha.

Na segunda-feira comecei a descer um pouco na altitude mas em pista única em fase de duplicação.   Pedalando pela estrada Mex 57, 95 km desde San Luis Potosí, parei para descansar um pouco e ver um acidente com duas senhoras que capotaram seu carro e por Deus apenas sairam com ferimentos leves.  Ali estavam alguns policiais da cidade de Huizache, minha próxima parada para repouso, cobrindo a ocorrência.   Os policiais foram muito simpáticos comigo e até bateram uma foto de lembrança daquele momento. Bem ali perto havia um posto da cruz vermelha e perguntei aos policiais se poderia passar a noite ali, mas eles me disseram que infelizmente só haviam dois socorristas voluntários e eles acabaram morrendo em um acidente quando foram atender um outro acidente na estrada. Mas os policiais me ofereceram ficar no posto polícia Federal de Caminos onde eles trabahavam, a 14 km dali em Huizache.

    Nisso chegou uma equipe de reportagem do Jornal Pulso(clique aqui) para fazer uma matéria sobre o acidente e acabaram dando mais atenção pra mim e fizeram um bela reportagem sobre minha viagem com direito a capa de jornal.   Logo que cheguei ao município de Huizache, encontrei o posto da polícia Federal de Caminos e os policiais que estavam de plantão, já estavam me esperando para me ceder alojamento sem cerimônia.  Pela manhã de terça-feira, os policiais tiveram agentileza de ir cedo comprar para mim o jornal Pulso para eu levar de recordação. 

 

Continuando rumo a cidade de Matehuala para passar a noite, tive a oportunidade de cruzar a linha do trópico de cancer numa altitude de 1.520 metros.  A placa mais ao fundo da foto também indica a longitude e latitude daquele local.  

 

Em Matehuala, encontrei em um restaurante onde estava jantanto, um senhor de nome Tomás Ferrándiz Calvet, mexicano, em 1977 foi o único acrobata sobre moto do mundo.  Famoso por suas proesas sobre duas rodas, ele fez questão de pagar o meu jantar e me convidou para ir dormir em sua casa mas me pediu para tirar os olhos de sua filha de 15 anos.  O senhor Tomás ficou muito honrado em me ter com hóspide e parabenizou-me por minha coragem.   Acordamos cedo e tomei café da manhã com ele e sua família. 

 

Seguindo minha rota, pedalei 130 km em pouco mais de 9 horas e meia para chegar no município de San Roberto onde consegui apoio junto a Polícia Federal de Caminos. 

Daqui eram mais 138 km até Saltillo, cidade de  meio milhão de habitantes e localizada a 1.600 metros de altitude. Aqui consegui alojamento junto a cruz vermelha e estava a 300 km da fronteira com os Estados Unidos.   Saindo de Saltillo, o destino do dia era chegar em Monterrey, localizada a cerca de um mil metros a menos em altitude em relação a Saltillo.  Comecei a descer as montanhas que para nós ciclistas é uma emoção muito grande mas quando estamos subindo...  A paisagem não era muito comum de se ver, enormes montanhas sem árvores e uma vegetação baixa. 

Devido ao grande atraso para consertar um furo de pneu, pedalei pouco e armei minha barraca pela 25º vez embaixo de um caminhão na entrada da cidade que leva o nome de meu Estado, Santa Catarina, a 11 km para chegar em Monterrey. 

   Esta cidade e de mais de 1 milhão de habitantes mas por aqui apenas tomei o meu café da manhã e segui viagem rumo a Nuevo Laredo, fronteira com os Estados Unidos.  Já estava a trinta dias viajando pelo México e no meu penúltimo dia pedalei 133 km pela estrada Mex 85 até chegar na cidade de Sabinas Hidalgo.  Aqui fui atendido pela cruz vermelha onde passei a noite.

 

No meu último dia e última noite no México, apertei o passo novamente e pedalei 132 km em 8 horas e 50 minutos para chegar em Nuevo Laredo por volta das 22:30 hrs.  Até aqui foram 13.324 km pedalados em 919 horas em bicicleta.

  

Nesse dia, bem perto da fronteira, encontrei um casal de brasileiros que estavam numa moto dando a volta ao mundo.   Eles são de São Paulo e vieram para os Estados Unidos, compraram a moto e as bagagens em Miami e aqui nos encontramos.  Batemos uma foto e nos despedimos nos desejando uma boa viagem.  Em Nuevo Laredo, consegui alojamento na cruz vermelha e dormir encima de uma mesa na sala de cirurgia e pela vidraça eu via as luzes da cidade acesa.   

 

 

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Ciclista Adilson Joe