O
ano de 1995 era decisivo para irmos em busca de patrocínio para
este evento. Já estávamos perto do meio do ano e ainda não
tínhamos conseguido algo concreto de fato. Depois da
viagem que fizemos para Curitiba no mês de maio, nos tornamos
mais conhecidos através das entrevistas que demos aos jornais e
televisão. Mas
parecia que ninguém estava dando crédito ao nosso desafio de ir
de bicicleta para os Estados Unidos. Nem eu tinha ao menos
a bicicleta adequada para pedalar os quase 17 mil km de estrada
e o desânimo estava querendo contagiar a mim e Leonel.
Conversei com o
sr. Acyr e ele conseguiu para mim
uma passagem de ônibus ida e volta para São Paulo para eu tentar
ir pessoalmente levar nosso projeto para algumas empresas.
Chegando lá, fui direto visitar a caloi para ver se conseguia ao
menos o patrocínio da bicicleta, uma igual a de meu primo, que
custava cerca de $715.00 dólares, mas nem fui recebido. Visitei
mais algumas empresas e nada consegui. O único apoio que tive
foi de minha própria irmã, Maria de
Lourdes e de meu cunhado Orlando
Joaquim, que moravam em São Paulo, as duas mochilas
trazeiras para a bicicleta. Antes de voltar para Itajaí, visitei
a Sede das Escolas Yázigi na
avenida nove de julho e conversei com o diretor de marketing,
sr. Alcides, sobre minha tentativa de patrocínio.
Enteressado em meu projeto, ele prometeu discutir em uma reunião,
a possibilidade de me patrocinar com a bicicleta.
Já de volta pra casa, restava
agora ir em algumas empresas de grande nível aqui pela região de
Itajaí. Até fui bem recebido por muitos, mas eles não me
deram esperança de patrocínio. Porém, para animar a situação,
poucos dias depois de meu aniversário do dia 30 de julho,
voltando do trabalho, Leonel me deu a boa notícia que a
bicicleta patrocinada pelo Yázigi, acabara de chegar de São
Paulo. Logo no sábado, eu e leonel fomos ter nossa aula de
inglês no Yázigi de Itajaí e claro, fomos pedalando com nossas
bicicletas. A diretora da escola, sra.
Lenita Crippa, ficou muito feliz em termos conseguido
patrocínio através das ecolas Yázigi e comunicou ao sr. Alcides
que a bicicleta tinha chegado. Estávamos animados mas sem saber
o que fazer para conseguir o dinheiro para a viagem.
O
sr. Acyr e o Eng. Piccoli
também ficaram muito contentes e sugeriram que desfilássemos com
nossas bicicletas no dia 7 de setembro, no pelotão junto a
secretaria de esportes. Porém, Leonel, dois dias antes, me deu a
desagradável notícia que não iria mais participar do desfile e
que também resolvel desistir da viagem para Atlanta, por achar
que não teríamos tempo suficiente para conseguir patrocínio, já
que o plano inicial era dar início a viagem no dia 7 de
setembro. Com tudo, a desitência dele não me desanimou e
desfilei sozinho. Quando o Eng. Piccoli viu eu desfilar sozinho,
me perguntou onde estava Leonel, e eu disse: Em casa !!!
Ele ficou muito preocupado com a desistência dele e me disse que
seria muito perigoso eu ir nessa viagem sozinho, dando um ponto
final ao projeto. Só que o desânimo não me contagiou e eu estava
“determinado” a incarar o que viesse pela frente. Na
continuação, o sr. Acyr me mandou fazer o passaporte e tomar as
vacinas exigidas para a viagem. Passaporte na mão, ele conseguiu
junto a Prefeitura de Itajaí, uma passagem de ida e volta para
Porto Alegre – RS para eu ir tentar o visto americano.
Preparamos um protocolo do projeto e fui ao consulado dar
entrevista. No formulário da petição do visto, tudo que se
relacionava em renda mensal e bens materiais, eu deixei em
branco. O Cônsul me chamou para a entrevista e olhou bem pra mim
e fez uma só pergunta: Você quer ir para Atlanta de bicicleta?
Então eu disse que sim, e ele apenas me disse que iria demorar
um pouco e mandou eu esperar. O consulado estava lotado naquela
quinta-feira de 28 de setembro de 1995 e fui o ante-penúltimo a
ser chamado com o passaporte carimbado com o visto americano
para dez anos. Muito feliz com mais essa conquista,
primeiramente agradeci muito a Deus por esta bênção.
De
volta para Itajaí, o Eng. Piccoli me mandou ir conhecer o
sr. Carlos Priess, na época
secretário do Prefeito de Itajaí,
Arnaldo Shimitt, para ele me
apresentar na Associação Comercial e Industrial de Itajaí a fim
de conseguir algum apoio para a viagem.
Lá conheci o Comandante
do 1º Batalhão de Polícia Militar,
Ten. Cel. Hilário, onde ele
sem saber que eu sou filho do Sargento RR, Pedro Maria,
e irmão do 3º Sargento, Auricélio Pedro Maria e Ten
Bombeiro, Arnaldo Pedro Maria, me disse que poderia
fazer uma carta de recomendação para os demais quarteis
de polícia militar em todo Brasil, pedindo auxílio em
hospedagem e tembém possivelmente alimentação. A
Associação Comercial e Industrial de
Itajaí me patrocinou com R$ 500 reais ($ 544
dólares) e ainda na reunião, o sr. Carlos Priess, me
sugeriu que fosse conhecer o Prefeito, a fim de
conseguir mais recursos para esse projeto. Na
Prefeitura, fui recebido pelo
Prefeito Arnaldo Shimitt, e
consegui mais R$ 1.000 reais de patrocínio. Na saída, o
sr. Carlos Priess, me prometeu ajudar com uma nota de
$100 dólares em forma de dizer boa viagem.
Bom,
o Projeto Bike Atlanta 96 já
estava saindo do papel e tomando forma. Agora
faltava pouco para o sonho se realizar de fato. Meu aluno
de tênis, Sr. Jaime Heusser, dono da
Ótica Corujinha,
patrocinou na compra das mochilas dianteiras, no
Sistema Unificado, o diretor da escola,
Sidney Silva, me patrocinou com a
máquina fotográfica que bate fotos automática e no Yázigi de
Itajaí, meus ex-colegas de classe, o jovem casal,
Cristiane e Marcelo, me patrocinaram com a cãmara fotográfica com flash imbutido. Na
Secretaria de Turismo, o sr. Acyr me ajudou na
compra e impressão das camisetas da viagem e dos adesivos. A
Beline Video Foto e Som, me patrocinou com 20 rolos
de filmes para máquina fotográfica. E daí pra frente foram
muitas pessoas me ajudando com doações para a compra dos
equipamentos que faltavam. O
final do ano estava chegando e marquei a data da viagem para o
dia 9 de dezembro, mesmo ainda faltando 50% do dinheiro para eu
poder gastar com alimentação, que se limitou em $10 dólares por
dia. A última ajuda que peguei, foram os $100
dólares que o sr. Carlos Priess me prometeu quando eu estivesse
dando início a viagem. O Eng. Piccoli me sugeriu levar
uma carta de paz escrita pelo
Prefeito de Itajaí, Arnaldo Shimitti,
interessada ao Prefeito de Atlanta, Bill
Campbell, parabenizando a cidade de Atlanta pela cediação
dos Jogos Olímpicos e também uma carta ao Presidente do Comitê
Olímpico Brasileiro.
A
minha lição sobre a conquista deste evento ciclístico que
dependeu não só de mim, mas de muitas pessoas, foi mostrar para
mim mesmo e para alguns desanimados de percurso, que a
"pior
derrota é a de nunca ter tentado". E que moleza, é
pudim, gelatina e sopa de minhoca. Se você quiser realizar
seu sonho, esforça-te e tenha bom ãnimo, porque a caminhada é
longa e cheia de pedras. Não desista no meio do
caminho, tome a minha experiência como exemplo de força para
realizar o seu projeto de vida ou sonho. Vá e lute até o
fim ...
Pedalando rumo
à Atlanta
O
sábado, dia 9 de dezembro de
1995 chegou, e definitivamente estava com as rodas na estrada
rumo as Olimpíadas de Atlanta 96. Com a previsão de chegar lá
para a abertura das olimpíadas, dei início a viagem na Praça
Vidal Ramos, marco zero da cidade de Itajaí exatamente as 08:00
horas. A diretora do Yázigi, promoveu um passeio ciclístico as
17:00 horas e pediu para que eu participasse. A equipe da RBS
chegou para fazer a entrevista de partida as 17:30 horas e o
resumo da viagem foi assim:
Foram
15.320 km em bicicleta, 10 países, alguns furos de pneu,
600 litros de água consumida e muitas amizades.
Obs:
Você acredita em MILAGRES? Pois é, o Demétruis da Eco
Sistema encontrou os 17 rolos de filme e já me mandou pelo
correio. Agora é só revelar e colocarei no site. Deus é Fiel!
DE ITAJAI ATÉ CURITIBA : sai as 18:30 hrs de Itajaí no dia 09 de
dezembro, pedalei até Joinville, chegando as 02:00 hrs, a luz da
lua me acompanhou naquela noite.
ele saiu do Rio de
Janeiro e estava dando a volta em todo o Brasil em 100
dias. Gilvan trazia apenas uma mochila e pedalava
praticamente quase 200 km por dia, então nos
encontraríamos três meses mais tarde em Belém do Pará.
Subi a Serra do Mar num calor de
33 graus encima de uma caminhonete até São José dos Pinhais.
Encontrei uma galera que me receberam com carinho. ouça o
audio clique aqui. Cheguei em
Curitiba dia 11 na hora do almoço e registrei o primeiro furo de
pneu. Meu pai e meu primo Leonel, estavam na cidade e nos
encontramos na Praça Pública. Fiz um passeio ciclístico pela
cidade dei entrevistas para a imprensa. Pela noite passei na
casa de meu tio, Edmundo Antônio
Bernadina, autor dessa viagem maluca, para jantar
e dali segui para a casa de
Joseane,
ouçao audio(clique aqui)
que me convidou para passar a noite em sua casa. No dia seguinte
agradeci muito a ela e seus pais, e segui viagem.
DE CURITIBA ATÉ SÃO PAULO: nesse dia peguei a primeira chuva as
16:30 hrs até as 20:00 hrs onde armei a minha barraca pela
primeira, vez no posto São Luiz a 22 km da divisa de PR - SP.
No dia seguinte continuou chovendo o dia inteiro mas prossegui
viagern . Na descida da Serra do Azeite a 42 Km/h, estourou o
pneu traseiro mas consegui parar sern problemas e fiz a troca.
Dali parei para dormir em Jacupiranga. No dia 15 de dezembro,
fui até Miracatú via BR 116 com urn acostamento muito irregular.
Dia 16 pedalei até Itapecerica de Serra subindo cerca de 18 Km
da Serra do Noventa, chegando as 22:30 hrs no Batalhão do Corpo
de Bombeiros onde fui muito bem recebido, aliás ern todos os
Quartéis eu estou sendo muito bem tratado. Dali para São Paulo
foram 25 km. Logo quando cheguei, conheci dois
ciclista que iriam pedalar de SP até BA em janeiro, eles ficaram
tão entusiasmados em me conhecer que gostariariam muito de me
acompanhar até os EUA, mas não foi possível.
Como eu só tinha 50% dos recursos
da viagem, fiquei em São Paulo do dia 17 de dezembro ao dia 04
de janeiro de 1996 para tentar mais patrocínio.
Gravei entrevistas com a
TV Bandeirantes,
Rede Globo e
Rede Record, levei a gravação ao
Diretor de Marketing do Yázigi, sr. Alcides,
o qual já havia patrocinado com a bicicleta. Ele
ficou muito contente com o sucesso da viagem,
especialmente porque gravei entrevista com a TV
Bandeirantes em frente a
Sede das Escolas Yázigi.
Então o sr. Alcides orientou as escolas Yázigi nas 15
capitais brasileiras por onde eu irei passar que
capitalizassem a minha presença com R$100 reais e também
entrassem em contato com a imprensa local para a
divulgação do Projeto.
No dia de Natal eu tinha
marcado entrevista com a imprensa as 09:00 hrs na Praça
Princesa Isabel, e por infelicidade a imprensa não
chegou e apareceu um assaltante me dando as boas vindas.
Ele roubou o meu relógio e o meu
toca fitas, e ele estava armado com uma chave de fenda e disse
que não estava sozinho. Ele devagarzinho, queria levar tudo que
tinha, só que consegui escapar dele. Mas você sabia que Deus tem
muito mais pra te dar do que o diabo pra tirar? Não
fiquei abalado com o assalto pois sei que Deus permitiu que isso
acontecesse mas sentia que Ele estava comigo.
A saudade apertou, então deixei minha bicicleta no apartamento
de minha irmã e peguel um ônibus para Itajaí e passar o fim de
ano com a família.
DE SÃO PAULO ATÉ RIO DE JANEIRO:
voltando para São Paulo, peguei a bicicleta e prossegui viagem
no dia 04 de janeiro indo dormir em Santa Isabel.
Em São José
dos Campos, conheci Demetrius,
presidente e fundador da
ECO SISTEMA, uma intidade
ambiental. Ele me convidou para passar a noite no local da
intidade. O papo foi tão bom que eles resolveram me patrocinar
com as despesas na revelação das fotografias e passagem aérea de
Belém a Manaus e também me dando uma ajuda na divulgação da
viagem.
No dia seguinte dei entrevistas para a imprensa local e
segui viagem para Aparecida do Norte, onde dormir no quartel da
polícia militar, e pela manhã participei da missa na Basilica de
Nossa Senhora Aparecida. Naquela ocasião eu era
católico, agora eu sou cristão evangélico. Depois segui viagem
até Itatiaia e fiquei no Hotel Cabanas
dentro do Parque Nacional, jantei, dormi e tomei café da manhã.
Graças ao pessoal da Eco Sistema, aquela noite foi gentilmente
oferecida pelo Hotel. Dia 08 fui até a Serra das Araras, desci e
armei a barraca pela segunda vez na Polícia Rodoviária Federal.
Dia 09 cheguei por volta das 15:30 hrs no 13º Batalhão de
Policia Militar, na Praça XV de Novembro no Rio de Janeiro onde
fui carinhosamente recebido. Andei pela cidade de ônibus e fui
visitar a Estátua do Cristo Redentor. Ainda no Rio de Janeiro
dei entrevistas para o Jornal O Globo,
Jornal do Brasil e
TV Bandeirantes. Bati fotos
com o prefeito do Rio, César Maya, no dia da candidatura da
cidade para cediar os Jogos Olimpicos de 2004. Também o Prefeito
me entregou uma Carta de Paz para a Cidade de Atlanta
parabenizando-a pela cediação dos Jogos Olímpicos e uma carta do
Presidente da Cruz Vermelha
pedindo auxílio para mim em hospedagem aos demais postos da Cruz
Vermelha fora do Brasil. Passei no Yázigi peguei minha cota de
patrocínio e segui viagem.
DE RIO DE JANEIRO ATÉ VITORIA: no dia 13 de janeiro atravessei
para Niterói de Barca pois não pode passar ciclistas nos 14 Krn
de ponte da Rio - Niterói.
Ainda em Niterói parei na Borracharia Último Furo para consertar algumas
camaras que estavam furadas e os caras não me cobraram
pelo serviço. Nesse dia pedalei 70 km até Maricá e armei
a minha barraca pela terceira vez num acapamento do
Corpo de Bombeiros, na oportunidade, assistimos a
entrevista na televisão que dei, pois muitos dos
bombeiros não acreiditavam em minha história.
Assim que acordei, conheci quatro ciclistas que me
acompanharam durante uns 20 Km. Cheguei em Cabo Frio por volta
das 17:00 hrs e fui convidado pelo 25 Batalhão de Polícia
Militar. Os policiais me dirijiram até ao Quartel do Corpo de
Bombeiros 1SGM/9GBM para dormir.Pela manhã, peguei a bicicleta e
fui para o Yázigi e fui geltimente atendido pelo Diretor da
Escola. Ele contactou com a imprensa e dei entrevistas para a
TV ECO, TV LAGOS e
Jornal dos Lagos. Por volta
das 11:30 hrs, o destino me reservou uma perda, fui telefonar e
deixei o meu gravador em cima do telefone público e lá se foi o
meu gravador com parte do relatório da viagem.
Pra não ficar no prejuizo o
Diretor do Yázigi de CaboFrio, sr. Anibal, me
patrocinou com um novo gravador. Ele também capitalizou
minha presença com R$100 Reais e me desejou muito
sucesso. Saí da cidade as 16:30 hrs e quando liguei o
gravador para registrar o mapa da viagem, um ciclista
que vinha em sentido contrário me perguntou para onde eu
eu estava indo, então falei que era para os Estados
Unidos e ele logo disse:
_É
ruim heim!
Nesse dia pedalei mais 40 km até a cidade de
Barra do São João onde dormir no 5º Batalhão de Polícia. No dia
seguinte fui até o posto do Russo na BR 101 a 50 Km de Campos -
RJ e armei a minha barraca pela quarta vez, antes almocei na
cidade de Macaé no Quartel da Policia.
No dia 17, acordei para uma a
visão que o destino que me esperava, por vota das 09:35 hrs a 25
Krn de Campos, na subida de um morro para a esquerda, um carro
invadiu a pista contrária e bateu forte contra uma caminhão
carregado de troncos de árvore. A batida foi tão forte que o
eixo dianteiro do caminhão foi parar próximo ao eixo traseiro, o
motorista do caminhão nada sofreu mas motorista do Gol morreu na
hora e eu assisti a tudo esse acidente, que foi o primeiro de
minha vida. Fiquei muito abalado com isso e pedi a Deus que nada
me acontesse em minha longa viagem. Continuei até chegar ern
Campos onde almocei no Corpo de Bornbeiros e dei entrevista para
a TV Planicie, depois segui viagern até São Francisco onde
cheguei por volta das 22:00 hrs e amei a minha barraca pela
quinta vez nurn posto de gasolina.
No dia seguinte fui até
Piúma, litoral do Espirito Santo, almocei na praia das Neves e
dali prosegui adiante por estrada de chão. Quando cheguei ern
Marataizes peguei estrada asfaltada, mas quando encontrei uma
bifurgacdo ern Y, pedi ajuda a um senhor, nisso já veio a
familia dele me saudar pela viagem e pela coragem. Também parou
dois jornalstas de dois jornais me entrevistaram e quando eu
olho para trás estava acompanhado de cerca de 20 fãs, os quais
me abraçavam, pediam autógrafos , bateram fotos, fui muito amado
naquele dia 18 de janeiro de 1996. Recebi vários convites de
hospedagem mas eu tinha que ir para Piúma. De lá segui sem
problemas até Vitória onde fui recebido pelo Yázigi e pela
Polícia Militar. Fiquei 3 dias e meio em Vitória dando
entrevistas para imprensa, TV VITÓRiA, TV MANCHETE,
Jornal A Tribuna e participei ao vivo de um programa de
entrevistas pela
TV GAZETA do Estado do Epírito Santo.
DE VITÓRIA ATÉ SALVADOR: Saí de Vitória as 14:00 hrs do dia 23
após dar entervista para a imprensa. Nesse dia iria dormir em
Nova Almeida ES, onde cheguei as 19:00 hrs e resolvi dar uma
esticada mais 17 KM até Santa Cruz. Faltando 10 Km para chegar,
parou um turista de Osasco/SP e me, convidou para donnir na casa
onde ele estava hospedado com a família em Barra do Saí a 20
Km dali. Já eram 20:00 hrs e como eu queria chegar em Linhares
antes des 18:00 hrs do dia 24, aceitei com o maior prazer.
O sr.
Paulo Lúcio e sua simpática família queriam me levar de carro
por já estar noite mas preferi ir pedalando. Então ele me disse
que iria me esperar na polícia rodoviaria só não que teriam com
ele mais de 100 pessoas também. Chegando ali por volta das 21:40
hrs, o destino me reservou, uma enorme surpresa, eram fogos de
artifício, aplausos, gritos e tudo mais.
Eu na verdade não
pensava que aquela festa toda era pra mim e cheguei businando
com minha pequena busina que trazia na bicicleta. Mas quando
cheguei perto deles aquelas pessoas que não eram poucas, estavam
me esperando e logo me cercaram pedindo autógrafos em camisetaa,
bonés, agendas e algumaspessoa diziam que nunca mais iriam lavar
as camisetas, coisas desse tipo.Fiquei durante quase uma hora
dando autógrafos e batendo fotos, até a polícia pediu calma para
aquela multidão, pois haviam também muitas crianças e alguém
podia se machucar no empurra empurra. Quer dizer, o sr.. Paulo
Lúcio foi na frente e organizou toda a populagio, foi na rádio,
procurou um carro de som, comprou fogos de arfificio, e até
demos uma volta pela cidade com direito a comboio de carros
atrás do mim buzinando e as pessoas saiam das casas para me ver
com aplausos diziam: "Vai com Deus".
Foi realmente o melhor dia de
minha viagem. Depois da festa o sr. Pulo Lúcio comprou um jantar
pra mim e fomo pra sua casa de praia para passar a noite.
Como
se não bastasse, sua esposa teve gentileza de lavar as minhas
roupas e para finalizar o imenso carinho daquela família, sua
filha Paula me presenteou com o seu walkman para eu ouvir minhas
fitas, pois como vocês sabem, o meu tinha sido roubado em São
Paulo.
Naquela hora eu. não sabia nem o que falar, só agradeci
muito a Deus por aquele momento pedindo proteção e as bençãos de
Deus para aquela família. Também ganhei de uma outra garota,
chamada Gerdina, um colar me desenjando boa sorte.
Todos acordamos juntos e tomamos o café da manhã. Quando segui
viagem e o sr. Paulo Lucio soltou mais uma secão de fogos de
artifício. Nesse dia fui para Linhares e no caminho pedalei
quase 40 Km sem encontrar nenhuma casa, apenas muita vegetação e
grandes árvores de eucalipto na beira da estrada. Na hora do
almoço entrei na BR 101 e almocei num posto cujo dono do
restaurante não quiz me cobrar. t. Cheguei em Linhares as 17:08
hrs e fui recebido pelo diretor do Yázigi dessa cidade. Pela
noite me diriji ao 5° Batalhão de Polícia Militar para passar a
noite. Fiquei pela manhã em Linhares para da entrevistas Jorrnal
Pioneiro e Rádio Cultura.
A PIADA DO DIA :
toda vez que peço infomações de onde fica um
certo lugar e se é longe, as pessoas me rospondem:
"Pra você que
veio do Santa Catarina de bicicleta é logo ali, como dizem os mineiros”
Saí de Linhares as 16:30 hrs e cheguei em Córrego Alegre as
19:15 hrs, procurei o Batalhão da Polícia mas não havia.
Condição pra eu poder ficar alojado, então fui levado para um
posto de gasolina do municipio onde armei minha barraca pela
sexta vez. Acordei e fui até Pedro Canário, última cidade do
Eperito Santo, e fiquei no quartel da policia militar dassa
cidade. Daqui foram 15 Km até eu entrar no estado da Bahia e me
dei de cara com um longo trecho da BR 101 em ruim estado de
conservação e quase sem acostamento.
Foi um pouco perigoso pois
além de não haver postos de gasolina nesse num longo trecho ou
se quer bares e lanchonetes por perto, foi também uma longa e
cansativa área de subidas e descidas inacabáveis com inclinações
variando entre 2 e 3 graus, me sentia com o corpo todo doendo.
Foram 111 km até chegar em Taxeira de Freitas onde também passei
a noite no, Quartel da Polícia Militar. No dia seguinte fui até
Monte Pascoal, onde por volta das 19:20 hrs, o pneu traseiro foi
pro beleleu, coloquei o pneu reserva com a ajuda de alguns
moradores da região. Seguindo até a cidade, descobri que não
havia um quartel da policia por perto, mas Deus me ajudou e veio
um simpático e humilde senhor oferecendo a sua casa para eu
posar me servindo um jantar. Ali descobri que estava na região
do município de Barra do São João e também que a casa do seu
João não havia água encanada e o jeito foi tomar banho de
caneca. Dali segui viagem para. Euná[polis, mas a 62 Km o
destino me encontrou. de novo: como já era tarde e eu estava
muito cansado por causa dos trechos montanhosos, resolvi ficar
por ali mesmo, só que a policia militar ficava, na saida da
cidade indo para Porto Seguro e era longe do BR 101. Então
peguei informações para eu. ficar no complexo da polícia civil,
chegando Iá falei com um policial que me autorizou a armar a
minha barraca pela sétima vez no jardim onde ficava a polícia.
Depois de duas horas, por volta das 22:00 hrs, chegou o delegado
acompahando de outros policiais usando toda grosseria do mundo,
me acordaram sacudindo a barraca, gritando, tentando abrir o
ziper da barraca com violência, só não chutaram o pau da
barraca. Levantando meio assustado, eles disseram que eu não
podia ficar ali porque aqui é uma delegacia de polícia e não um
camping; disse o delegado. O sujeito estava muito nervoso e não
quiz saber de conversa e por fim ameaçava até rasgar minha
bamaca se eu não saisse dali rápido. Não tive tempo de explicar
quem eu era e o jeito era ir embora. Estava muito cansado e
cheguei a armar a barrca em posto de gasolina perto dali, mas
presentia que ali não era seguro e resolvi pagar R$8.00 reais
num hotel. Acordei as 8:00 hrs do dia 30 de janeiro e segui
viagem. A 84 km dali, o pneu traseiro estourou em Santa Maria,
pequeno povoado entre a BR 101 e Canavieras. Já era tarde e como
não havia modo de comprar urn pneu novo, e não tinha um quartel
da policia por perto, eu paguei R$ 5.00 reais para ficar num
hotel e no dia seguinte tomei um ônibus até Canavieiras, a 64 Km
de Santa Maria via estrada do chão. Cheguei na cidade por volta
das 10h e logo tratei de comprar 2 pneus novos e almoçar.
Dali pedalei mais 28 km e parei perto de uma praia chamada Praia
dos Lençóis por causa da chuva que estava se aproximando e ver
se conseguia um local para dormir. Eram quase 08:00 hrs da noite
e eu parei em um pequeno bar para comer e esperar a chuva
passar. O simpático dono me sujeriu dormir com a Bibica sem
problema nenhum ou se eu preferir, poderia armar minha barrca em
seu quintal pela oitava vez e passar anoite ali. Enquanto ele
falava isso, ele estava alisando uma cachorra e pensei comigo
que ele queria que eu fosse dormir com a cachorra Bibica, então
preferir dormir em minha barraca. Pela primeira vez eu tomei um
banho de água tirada de poço artesiano onde tem aquelas tomeiras
que se bombeia e foi a maior aventura. Pela manhã acordei cedo e
pedalei até a cidade de Ilhéus onde o gravador pifou e paguei
R$10.00 pelo conserto. Fiquei alojado no quartel no 2 Batalhão
de Polícia Militar onde fui attendido com gentileza indo jantar
com os oficiais. Na manhã do dia 2 de fevereiro os policiais
chamaram a TV Santa Cruz para fazer uma matéria sobre a viagem.
Nesse dia, visitei a Fazenda Renascer, a 33 Km depois de Ilhéus,
onde foi gravado a novela Renacer e foi uma grande emocão
partficipar daquele senário. Em Ubaitaba, consegui alojamento
dentro da delegacia de Polícia Civil.
Como não havia dormitório eu estendi o meu saco de dormir numa
sala e ali passaei a noite, acompanhado de muitos mosquitos. No dia seguinte os 42 Km de
sobe e desce estavam me esperando até chegar em Camamú local de
almoço, dalí segui para a cidade de Ituberá e também dormir na
policia. Daqui pedalei cerca de 120 Km até próximo a ponte do
funil que faz ligação para Ilha de Itaparica, onde armei minha
barraca, pela nona vez num posto de gasolina. Acordei cedo e
foram 33 km pedalando pela Ilha até chegar ao ferry boat. Paguei
R$1,65 reais pela travessia que durou 55 minutos até chegar em
Salvador onde alojei no 1 GBS do Corpo de Bombeiros.
Até aqui forarn pedalados 3.168 Km, percorridas mais de 110
cidades, consumidos cerca de 120 litros de água e 5 quilos mais
magro.
DE SALVADOR PARA ARACAJÚ: Em Salvador fui muito bem recebido
pela Diretora do Yázigi que logo tratou de capitalizar a minha
presença. Ela consegui uma entrevista ao vivo nos estúdios da
Rede Globo no Jornal Esportivo e foi um sucesso. A minha salda
de Salvador foi um pouco complicada, quando pensei que iria sair
o pneu da bicicleta furou e na troca o eixo traseiro espanou a
rosca, levei meio dia para comprar outro que não serviu, e
fiquei o resto do dia atrás de outro, coloquei, só que resolvi
desempenar a roda dianteira e acabei deixando-a mais empenada.
Lá fui eu procurar uma oficina para desentortar a roda. No dia
seguinte o pneu amanheceu furado por causa de um espinho, lá fui
eu trocar e resolvi limpar a corrente com óleo diesel e
desregulou todo o cambio traseiro. Lá fui tentar consertar e
desta vez consegui. Tudo isso resutou em um dia e meio de
atraso. Consegui sair do quartel do bombeiro onde estava
hospedado às 11:00 hrs do dia 8 de fevereiro, numa terça-feira,
fui via praia onde estava tento grito de carnaval. Tinha tanta
gente que pensei, esse povo não trabalha? Mas é muito lindo ver
aquele povo dançando ao som dos trios elétricos em coreografia.
Saindo da praia peguei carona com um senhor que ia de bicicleta
até a linha verde, via que liga BA com SE, e pela primeira vez,
caiu uma bolsa que fica encima do bagageiro, mas a bolsa era
pesada e me perguntei: mas como? Ai vi que o saco de dormir
tinha caído também, so que muito distante dali. Nisso o senhor
que estava comigo teve a gentileza de voltar cerca de um
quilômetro e meio par ver se gente achava o saco, e lá estava
ele na mão de um rapaz que disse ter visto cair e me chamou mas
eu não ouvi e vinha vindo para ver se eu voltava pra pegar. O
engracado é que o senhor viu primeiro ele com o saco na mão, mas
não disse nada pra ver se eu reconhecia e caso o rapaz não
quisesse devolver, ele pegaria a forca do rapaz, disse o senhor.
Tudo bem e chegamos até a linha verde e dali fui sozinho, parei
antes numa lanchonete para tomar água e conheci o Correia, um
cidadão que disse ter me visto na televisão e pagou um lanhe
para mim e me ofereceu carona até a praia do Forte onde eu
passar a noite, mas claro não pude
Aceitar. Se eu fosse aceitar todas as caronas que me ofereceram
pela estrada, a viagem de bicicleta era só a nivel de título.
Porém o sr. Correa me convidou para dormir na casa dele na praia
do Forte onde cheguei por volta das 20:00 hrs. Ele e sua família
me serviram em belo jantar e fomos dormir. Pela tomamos café da
manhã e agradeci muito pela hospitalidade. Dali segui até o
acesso para Barra do Sarari por estrada de areia, só que conheci
o Edmilson que me autorizou a armar a minha barraca pela décima
vez no seu quintal e lá fiquei tranqüilo. No dia seguinte fugi
um
pouco da rota e fui conhecer o Mangue Seco onde armei a barraca
pela décima-primeia vez no quintal da Dona Maria, que a dez anos
atrás tinha deixado um casal também fazer o mesmo, diz ela. Por
infelicidade, ela soube dois dias depois que o casal tinha sido
assassinados na estrada e levaram todos seus pertences, são os
riscos de viagem. Acordei e fui pro lado da Bahia, Mangue Seco,
deixei a bicicleta na casa dela em Pontal do lado de Sergipe a
travessei para o Mangue de barco. Passei a manhã lá, visitei a
cidade cenário da novela Tieta, conheci a praia, as Dunas e
tomei uma lancha de volta para Pontal. Almocei e peguei a
bicicleta na casa da Dona Maria que disse que podia ficar lá o
tempo que quisesse. Nesse dia 11 saí de Pontal e cheguei em
Estãncia às 18:00 hrs no quartel de policia onde fui
carinhosamente recebido pelos policiais sergipanos que me deram
um jantar e pousada. No dia 12 cheguei em Aracajú às 13:00 hrs
após ter pedalado 70 Km até aqui desde Estãncia. Alojei – me no
Corpo de Bombeiros e fiquei na capital sergipana mais um dia
consedendo entrevistas para a Rede Bandeirantes. e Rede Globo na
frente da Escola Yázigi que também capitalizou a minha presença.
Peguei a estrada novamente no dia 14 rumo a Maceió AL, onde devo
chegar no domingo dia 18.
Eu estou tomando em média 3 litros de água por dia, pedalei um
total até Aracajú, 3.587 km. De Aracajú até Maceió são 346 Km e
estou vendo um detalhe muito triste, são cruzes que indicam que
ali morreu ou morreram pessoas vitimas do transito violento, até
mesmo na linha verde que é uma estrada calma.
DE ARACAJU PARA MACEIÓ : conheci um advogado que foi super
amigo, me ajudando em despesas com alimentacão. No 13 de
fevereiro fui obrigado a trocar a corrente, as coroas e a
catraca, os quais me custaram R$100,00 (cem reais), isso com um
desconto de R$ 20,00 (vinte reais) do dono da loja, um gringo do
Uruguai. Também comprei um outro gravador de reserva caso um
venha a dar problemas. Sai de Aracajú no dia 14 rumo a Maceió.
Conheci um dono de restaurante que ofereceu um belo almoço no
município de Carnópolis e lá dei entrevista numa rádio local.
Depois fui até um posto próximo ao trevo para Neópolis onde
armei minha barraca pela décima-segunda vez, tomei um banho, fiz
um lanche e depois liguei para minha cunhada Soraia para dar
notícias a família. Quando fui dormir, esqueci o meu chinelo em
frente da barraca e foi roubado. Acordei e continuei viagem.
Cheguei em Neópolis às 10:40 hrs após ter pedalado 43 Km desde o
posto e atravessei o rio São Francisco, um dos más famosos e
mais importantes do país. Paguei um real pela travessia que
durou 15 minutos e almocei na polícia de Penedo já no estado de
Alagoas. Dali segui viagem até Coruripe, onde um senhor de moto
me acompanhou iluminando a estrada para mim até chegar na
cidade. Ele iria para Maceió mas resolveu ficar por ali e eu
passei a noite na polícia civil pela segunda vez sem problemas.
No dia 16 arcodeí para um perda que pesou no bolso, tomei café
da manhã e segui viagem até Maceió, quando cheguei ao Município
de Mirante do Gunga a 40 Km da capital alagoana, eu parei para
bater uma foto, usei a máquina fotográfica que bate fotos
automática, uma Zenit 122, e por descuido meu, coloquei a
máquina no lugar de sempre, na mochila, traseira, mas coloquei-a
muito em cima e como a mochila não se feichava totalmente, ela
caiu e eu só fui perceber 24 Km depois. Voltei para ver se
conseguia reavê-la, andei cerca de 23 Km onde encontrei aquele
senhor de moto e pedi a ele que fizesse a gentileza de ir
procurá-la. Ele foi mas não voltou ou ele passou por mim e eu
não vi. Então parei na estrada e perguntei a um caminhoneiro se
ele tinha visto a máquina, e ele me disse que viu um carro dar
ré e apanhar um a coisa preta do chão, aí pensei: é a minha
máquina. Pronto lá se foram R$150 reás pro beleléu, e essa
máquina veio desde de Curitiba no mesmo lugar e eu sempre
tomando o maior cuidado, só que não foi o suficiente. Dali
pedalei até Maceió e lá cheguei por volta das 18:30 hrs no
Batalhão da Polícia Militar onde passei a noite. No sábado fui
resolver alguns problemas burocráticos da viagem e arrumar a
ziper de uma das mochilas A tarde limpei a bicicleta e depois
descansei um pouco.
DE MACEIÓ PRA RECIFE : saí no domingo, via litoral, mas chegando
em Barra do Santo Antônio, por falta de sinalização, eu fui
parar no município de Porto Calvo, lugar onde fiz o repouso numa
Companhia de Polícia Militar, pedalando naquele dia 121 Km.
No dia seguinte segui viagem e conheci logo de manhã, dois gringos,
um do Perú e outro da Colombia, que estavam viajando a pé e de
carona pelo nordeste brasileiro a 45 dias. Assim que cheguei ao
litoral, a 19 Km de Porto Calvo caiu uma chuva que durou duas
horas, então parei numa lanchoinete e esperei a chuva passar.
Essa parte é um dos litorais mais frenquentados pelos turistas,
uma região com muitos cocos verdes planitados a beira da praia
dando uma bela paisagem inesquecível. Dalí segui para Ipojuca,
já em território pernambucano, onde pernoitei na Polícica
Militar.
Acordei cedo, tomei café da manhã e segui para Recife,
que após 25 Km cheguei na cidade. Assim que eu estava perto de
chegar na Escola do Yázigi, fui abordado por uma família que
disseram ter me visto na televisão em dezembro quando passei em
rede nacional.
O responsável pela parada foi um garoto de 13
anos, Luis Gonzaga da Castro Neto, que me reconheceu depois de
todo esse tempo, e fui convidado por seu pais a ficar na casa
deles como hóspede.
Aceitei e eles me levam nesse mesmo dia para
dançar um Frevo na
Cidade de Olinda, na última, noite de
carnaval. Ganhei uma pequena sombrinha toda colorida, que é
usada para dançar frevo daquela família como lembrança, e lá fui
eu, subindo e descendo ladera atráz dos blocos de frevo. O pai
do garoto é dermatologiosta em Recife, Dr. Luiz Onzaga de Castro
e fui também muito bem recebido pelos outros da família que
também estavam em Olinda dançando frevo.
Após tanto frevo,
voltamos para casa e no dia deguinte, quarta feira, eles me
levaram para conhecer a praia de Boa Viagem onde ficamos no
apartamento do avô do garoto. Passamos aquele inesquecível o dia
lá, brincamos, jogamos bola, tomamos banho de mar e de piscina,
realmente um sonho, toda a família de Luiz foram super
hospitaleiros comigo.
Na quinta-feira, já de volta para casa, o
Dr. Luiz fez alguns contatos com a imprensa para registrar a
minha pasagem por Recife, e vieram ao meu encontro, cinco
emissoras de TV, a Rede Bandeirantes,
Rede Globo, o
SBT, a
TV Cultura a nível nacional e sem a gente saber,
também apareceu a
Rede Manchete também para gravar entrevista comigo.
Aliás, todas
as equipes de reportagem forma até a casa do Dr. Luiz e até
cheguei a dar entrevistas para duas equipes ao mesmo tempo. Fora
a cinco emissoras de televisão, dei enrevista para o Jornal do
Comércio, Rádio Clube e também para a Rádio CBN a nível
nacional. Foi o dia inteiro dando entrevistas, a maior
receptividade que tive em toda viagem. No final da tarde, o Dr.
Luiz me levou de carro na escola Yázigi e na ida pra lá eu
fiquei pensando: poxa, onde estou? Longe de casa muitos
quilômetros e com pessoas que conheci a poucos dias. Uma grande
e inesquecível esperiência. Chegando na escola fui recebido pela
com muito carinho pela diretora me capitalizando com o dobro da
cota indicada pelo sr. Alcides.
DE RECIFE PARA JOÃO PESSOA: saí
na sexta feira da casa do Dr. Luiz após tomar café da manhã,
indo chegar em João Pessoa por volta das 18:13 hrs, sem
problemas na viagem, após ter pedalado 110 Km. Fui recebido
carinhosanente pelo futuro diretor da futura Escola Yázigi,
Jorge Luiz Lúcio Thomas, o popular Beleléu um antigo apelido de
trabalho, disse ele após eu ter contado a ele que minha máquina
fotográfica tinha indo pro beleléu. Ele me covidou gentilmente
para hospedar em sua casa até sábado, dia 24. Conectamos com a
imprensa e fomos no centro da cidade ver se eu comprava a
máquina fotográfica da mesma que havia perdido, achamos e ele
teve a gentileza de comprar pra mim. Quer dizer, quando eu usei
a expressão "beleléu", porque havia perdido a máquina, por uma
obra do destino, velo um 'Beleléu" e me trouxe a máquina de
volta, fiquei realmente muito a gradecido e impressionado pela
considênçia. O jovem senhor Jorge também fez questão de
capitalizar a minha presença com R$ 100.00 e ele mesmo contactou
a impresa. Em João Pessoa, gravei centrevistas com Rede Globo e
SBT. Depois partir para Natal –RN.
DE JOÃO PESSOA ATÉ NATAL : infelizmente como o meu tempo para
chegar em Atlanta está estourando, aliás já estou bem atrasado,
devido a vários cancelamentos da data de início da viagem por
falta de patrocínio. Por isso, por uma questão de tempo, o
diretor do Yázigi, me levou até Goianinha de carro, onde lá
dormÍr na Polícia Militar e saí no dia seguinte para Natal onde
cheguei por volta das 12:30 hrs após ter pedalado, 53 Km desde
Goianinha. Em Natal fiquei alojado no Quartel do Comando Geral
da Polícia Militar e na segunda-feira, dia 26 de fevereiro,
pedalei até a Escola Yázigi para pegar minha cota de patrocínio
e gravei entrevistas com a imprensa, Rede Globo, SBT e Rede
Manchete. Até Natal consumi cerca de 200 litros de água e
pedalei um total de 4.444,2 Km.
DE NATAL PARA FORTALEZA: sal de Natal na terça-feira dia 27 e
pedalei apenas 58 km para chegar perto do município de Santa
Maria, porque no caminho, por volta da 15:30 hrs, fui abordado
pela Dona Maria de Lourdes, a qual tinha me visto na televisão e
me convidou gentilmente para dormir em sua casa. Havia uma rede
estendida na varanda e ela perguntou-me se queria descansar um
pouco. A dona Lourdes também me serviu uma fatia de bolo com
dois copos de suco de imbu e lá dormir estendido naquela rede.
Acordei pra vida e tomei um banho de caneca, pois naquela região
não existe água encanada e ainda por cima, fazia quase um ano
que não chove. Com relação a água, um caminhão pipa trás todos
os dias água potável para aquela região. Passei a noite na casa
da Dona Lourdes e no dia seguinte, pedalei 111 km até o
município de Fernando Pedroza, onde conheci a mãe de Rita de
Cássia, a qual me convidou para eu dormir em dos quartos de um
hotel em construção ao lado do posto de gasolina onde ela
trabalha, que foi o local onde nos conhecemos. Jantei ali mesmo
no posto e ela não me cobrou pelo jantar. Acomodei-me em uns dos
quarto do hotel e pela segunda vez passei a noite em uma rede.
Acordei cedo e tomei um café da manhã oferecido por aquela
família.
Dali pedalei 122 km até Mossorô, onde eu já havia dois
lugares para eu poder ficar, mas só que o destino me colocou
diante de Robert, filho de seu Bartolomeu, os quais me abordaram
na estrada, me trazendo uma água mineral gelada e convidaram
para ficar em sua casa, aí fiquei pensando: e agora?
Tenho três
lugares para eu poder donnir, pra onde vou? Joguei tudo pra cima
e deu Robert, o qual também tinha me visto na televisão quando
passei a nível nacional em dezembro. Antes de chegar em sua
casa, fui abordado pelo Jornal Mossoroense e consedi
entrevistas. Já na casa de Robert, fui recebido com a máxima
gentileza me convidando para jantar e o seu Bartolomeu disse que
eu poderia ligar para onde quisesse. O Robert me levou para
conhecer a capital do sal do Brasil e apresentar para alguns
amigos. Realmente eles se sentiram muito lisonjeados com a minha
presença e eu muito agradecido pela generosidade. Quando eu saí
de lá, o seu Bartolorneu, ligou para o seu amigo Ivan, que mora
em Aracati-CE, minha próxima parada, pedindo-lhe para fizesse o
mesmo comigo assim que chegasse na cidade, e não foi diferente.
Saí pela manhã de Mossoró e pedalei 100 km até chegar na casa de
seu Ivan, onde fui recebido com o maior prazer. Ali jantei
depois de tanto tempo um peixe frito feito por sua mãe, Dona
Maria, o nome do peixe é Garajuba. Assistimos ao jogo do Brasil
e depois fui dormir, e adivinha onde? Numa rede. Acordei, tomei
café da manhã e pedalei rumo a Fortaleza. Segui via litoral, por
uma estrada próxima das praias, porem é estreito o acostamento
mas bem conservada e sem laderas. O caminho é muito bonito,
quase semi-urbano. Cheguei em Fortaleza por volta das 19:45 hrs
após ter pedalado 140 km e comi pela primeira vez, uma tapioca
que é feita de farinha de mandioca e coco ralado, uma delícia.
DE FORTALEZA PARA TEREZINA : fiquei na casa de João Elder, uma
pessoa que também gosta de viajar como eu, só que de Bugue. Nós
havíamos nos encontrados a 40 Km antes de Mossoró, onde ele me
convidou para ficar em sua casa desde então. Foi tudo bem, fui
recebido com muito carinho por ele e sua família me oferecendo
um belo jantar. No domingo choveu quase que o dia todo e não
pude sair para conhecer a capital do ceará, exceto no final da
tarde onde o irmão dele me levou para conhecer a cidade de
carro. Realmente um encanto a capital do Ceará, pricipalmente as
suas praias. Como tinha que ir na Escola Yázigi na
segunda-feira, passei a noite na casa do irmão de João Elder.
Pela manhã, passamos numa oficina de bicleta e deixei a minha
bicicleta para engraxar os rolamentos. Logo depois fomos para o
Yázigi e lá dei entrevistas para o Jornal O povo, Rede
Bandeirantes e Rede Globo Nordeste. O Diretor do Yázigi
capitalizou a minha presença e voltamos para a casa de João
Elder para dormir. Na terça-feira pela manhã, agradeci pelo
carinho daquela família e ainda gravei entrevistas com o SBT.
Nesse dia pretendia chegar em Umirim, mas caiu uma chuva forte
que durou 3 horas entre 11:00 e 14:00 hrs e antes que ela
viesse, eu busquei abrigo numa estação de trem. Lá havia muitas
pessoas esperando o trem chegar mas ninguém me reconheceu.
Enquanto a chuva caía, ouvi a conversa de três homens que
conversavam sobre um amigo que ganhou um grande prêmio na
loteria e um deles estava comentando que esse ganhador disse a
ele o seguinte:
_ Rapaz, agora eu tenho tanto dinheiro que nem Deus faz eu ficar
pobre. (titanic)
Continuando a comversa, ele dizia que esse ganhador se casou com
uma moça jovem e bonita, mas que em pouco tempo eles se
divorciaram e a moça conseguiu arrancar 50% de todo seu
dinheiro. Porém, ainda esse cidadão comentando sobre esse
assunto, ele disse que o ganhador ainda tinha lhe sobrado
bastante dinheiro e se casou novamente com outra moça jovem e
bonita, mas que também dentro de pouco tempo ele perdeu o resto
de sua fortuna no segundo divórcio e que seus investimentos do
dinheiro que sobrou não lhe rederam nada e esse ganhador acabou
com dívidas e pobre novamente. Terminando o assunto, os três
homens concordaram entre si que não se desafia e nem se zomba do
Nome Santo Deus.
O assunto terminou por aí e a chuva também, então tratei de
continuar viagem.
Cheguei em Umarítuba onde pousei na Polícia Militar. Dali segui
para Catuana, lá conheci dois gaúchos que vieram passar as
férias e não voltaram mais. Comi uma macarronada no sítio deles
e fui dormir na Policia Militar, pois o sítio ficava longe da
estrada. Saí cedo e pedalei até Sobral onde tem uma Escola
Yázigi. Cheguei às 17:00 hrs ficando no dia seguinte até na hora
do almoço. Dormi na casa do diretor do Yázigi e pela manhã dei
entrevista a um jornal local. Depois segui viagem para o
município de Frecheirinha, no pé da Serra da Ibiapaba, onde
repousei na Policia Militar. Acordei, tomei um café da manhã
espeacial oferevido pelos policias para agüentar os 11 Km de
Serra que me esperavam. Subi sem grandes dificuldades e após 70
Km de pedal cheguei em São João das Fronteiras, um município que
não está no mapa, mas fiz muitas amizades, ficando num
restaurante onde jantei e dormir pela primeira vez em um carro e
a bicicleta ficou dentro do restaurante. Foi uma boa
receptividade das pessoas daquela região que adimiram muita a
minha coragem. No dia seguinte acordei cedo e pedalei cerca de
159 Km até chegar em Campo Maior, às 19:30 hrs, cidade de 70 mil
habitantes e repousei na Polícia Militar. Com isso me adiantei
em meio dia, chegando em Terezina - PI dia 11 de março na Escola
Yázigi onde me alojei. Fiquei o dia seguinte inteiro dando
entrevistas para imprensa e somente segui viagem rumo a São Luís
do Maranhão na quarta-feira dia 13. O diretor do Yázigi
capitalizou a minha presença e foi ele mesmo que fez o contato
com imprensa. Até Terezina foram 5.651,7 Km pedalados em 366
horas e 223 litros de água consumidos.
DE TEREZINA PARA SÃO LUÍS : na quarta-feira bem cedo pedalei até
Caxias, cerca de 71 Km desde Terezina. Foram longos trechos de
sobe e desce que não paravam. Cheguei por volta das 17:00 hrs no
Batalhão de Policia Militar onde fiz a minha tradicional parada
para repouso e sempre muito bem atendido pelos policias. Nesse
dia eu arrumei três furos nas três câmaras reservas que tenho,
as quais eu já vinha andando muitos quilômetros sem câmaras
reservas e também desde Recife que venho pedalando sem pneu
reserva. Acordei e segui viagem até um município chamado
Peritoró. Seguindo mais pra frente, um senhor de bicicleta me
acompanhou durante uns 7 Km, só chegou uma hora que eu me
distanciei dele indo na frente e assim que ele me alcançou o
pneu da bicicleta dele furou bem na minha frente e aí veio o
momento chamado: “momento da solidariedade”. Parei e cedi o
material para fazer o conserto, ele ficou muito agradecido pela
minha ajuda. Cheguei ao meu destino do dia por volta das 19:00
hrs após ter pedalado 129 Km. Fui até a Polícia, falei com o
comandante mas não havia espaço físico para eu poder ficar no
destacamento, então ele me levou até um hotel dentro da
rodoviária e tentou arranjar um canto para eu dormir mas o
porteiro não quis saber de conversa e fez o comandante assinar a
minha entrada no hotel. Agora, uma coisa eu te digo: não sei
quem pagou a conta, se a Polícia ou o comandante, porque ele
assinou e saiu com uma cara de quem não gostou e nem ao menos se
despediu de mim, só sei que eu dormir num quarto confortável que
tinha até ventilador. Acordei 06:00 hrs e saí sem pagar nada. Na
sexta-feira segui para Miranda do Norte, foram 100 Km pedalados
e encontrei cerca de 97% de casas feitas de barro na beira do
asfalto, quase todas com instalação de energia elétrica e
algumas até grandes e bem caprichadas todas cobertas com folhas
de coqueiros e uma coisa eu posso afirmar; não cai uma gota se
quer dentro das casas porque já fiquei em uma cobertura dessas
esperando a chuva passar e por incrível que pareça, não chove
dentro. Os moradores sobrevivem da pesca, venda de artesanato,
redes e da farinha de mandioca que eles mesmos produzem. São na
maioria ou quase todos descendentes de negros, mulatos e índios,
mas são todos muitos simpáticos. Cheguei em Mirando do Norte por
volta das 15:00 hrs, a qual estava completando 6 anos de
emancipação. Consegui alojamento no Destacamento de Polícia
Militar e foi tudo bem. Aliás, uma coisa que ia esquecendo,
quase todos dormem em redes, até mesmo os policiais, eles não
dão valor para cama porque faz muito calor o ano todo. Eu estou
tendo o prazer de assistir o inverno deles que o período das
chuvas que vai de janeiro a junho praticamente todos os dias
chove e nas regiões periféricas ficam alagados mas eles
continuam vivendo normalmente porque as casas ficam numa altura
maior e no verão há um racionamento de água nessas regiões com
exceção das grandes cidades. No sábado acordei cedo e pedalei
até São Luis, foram 128 Km pedalados em mais de 9 horas pois a
chuva que caiu de tarde me atrasou um pouco e cheguei na capital
do Maranhão por voltas das 19:20 hrs na Academia de Polícia
Militar onde fiz refeição e fiquei na noite de sábado. No
domingo choveu o dia todo e não pude sair. Os policiais me
serviram café da manhã, almoço e janta com muita honra por minha
presença. Na segunda-feira dia 18 de março, pedalei até a Escola
Yázigi e logo o diretor me deu as boas vindas. Ele contactou a
imprensa para fazer a divulgação da viagem onde també passei o
dia inteiro dando entrevistas. Então o diretor do Yázigi fez
questão de me hospedar em sua casa e no dia seguinte me levou
para conhecer um pouco a capital do Maranhão. Como não está no
programa, infelizmente eu tive que pegar um ônibus até Belém do
Pará, pois já havia dito que estou até agora oito dias atrasado,
justamente por causa do atraso do início da aventura e esse
problema de chegar nas capitais no final de semana e ter que
esperar chegar os dias úteis para fazer o trabalho de
divulgação, isso não significa que eu estou fazendo corpo mole,
o interessante da viagem é que eu chegue lá para a abertura das
Olimpiadas e assim a viagem se tomará um sucesso.
Até aqui já percorri 6.107,1 Km, pedalados em 397 horas 5
minutos e 20 segundos, gastei até agora R$ 927,86 e tomei um
total de 238 litros de água e 5 furos de pneu. Na terça-feira
após o passeio pela cidade, o diretor do Yázigi me levou na
rodoviária e peguei o ônibus para Belém do Pará.
DE BELÉM PARA MANAUS: Cheguei em
Belém dia 20 de março pela manhã e fui direto para o Yázigi. Lá
me apresentei ao Diretor, fizemos contatos com a imprensa e
depois procurei o Batalhão de Choque da Polícia Militar e os
policiais disseram que eu poderia permanecer durante o tempo que
eu fosse ficar na cidade, e como sempre, fui muito bem recebido,
onde fiquei alojado junto ao dormitório dos oficiais. No dia
seguinte fui para o Yázigi Internexus
gravar entrevistas e encontrei aquele ciclista que havia
encontrado no meu segundo dia de viagem, Gilvan, o andarilho do
pedal, que foi até o sul, passou pelo Uruguai, Argentina e
Paraguai, cortando o centro oeste do país indo até Roraima,
Amazonas e depois desceu de barco até Belém onde nos
reencontramos. Por ele ter chego primeiro que eu, ele tomou o
espaço da imprensa quase todo, deixando pra mim, a TV Cultura e
o Jornal Diário do Pará, porque nós somos do mesmo gênero de
intrevista e as outras emissoras de televisão preferiram não
repetir o mesmo quadro. Visitei o museu e o zoológico de Belém,
fiz alguns registros e no sábado dia 23, embarquei no avião para
Manaus. Mas ainda no aeroporto, o destino me reservou a pior
notícia de minha viagem, por volta das 18:20 hrs, recebi um
telefonema de minha irmã do aeroporto de Navegantes-SC, e ela me
disse que nossa mãe tinha falecido nesse mesmo dia por volta das
09:00 hrs devido a complicações de diabetes. Realmente só um
filho pode sentir o que é perder uma Mãe. A moça que me passou o
telefonema ainda me perguntou se eu ainda iria viajar para
Manaus sendo que minha família estava no sul. Encorajado por
minha família a prosseguir viagem, embarquei às 18:45 hrs no
avião para Manaus e não acreditava no que tinha acontecido. A
última vez que vi minha Mãe, foi no dia 03 de janeiro, quando
ela e meu pai me levaram na rodoviária, após ter passado o final
de ano com eles e naquele momento pressenti que poderia ser a
última vez que viria minha Mãe. Eu orava a Deus que consedesse
vida para minha mãe até eu voltar de viagem, mas o os planos
Dele eram outros. Bem, agora é levantar a cabeça e continuar
minha viagem, foram as palavras de consolo de minha família.
Cheguei em Manaus ás 19:52 hrs, horário do Amazonas que é uma
hora a menos que Belém, na realidade o vôo durou duas horas e 7
minutos. Assim que desembarquei, liguei para um amigo do sr.
Acyr, o qual não mediu esforços para me ajudar, e como prova
disso ele ligou para seu amigo, sr. Lázaro que no momento reside
em Manaus, pedindo lhe que me acolhesse em sua residência onde
fui carinhosamente recebido.
No domingo saímos de barco e
conheci o Rio Negro que banha toda cidade de Manaus. Com uma
beleza incomparável, em algumas partes do rio, não é possível
ver o outro lado e passamos o dia numa praia chamada Praia do
Arrombado. Na segunda-feira, levei a bicicleta para uma revisão
e o sr. Lázaro fez questão de pagar pelas despesas. Enquanto
isso fomos ao Yázigi Internexius
que se localiza ao lado do Teatro Amazonas. Na Terça-feira
gravei entrevistas com a TV Cultura e Rede Globo. Na
quarta-feira consegui três patrocínios da cidade através do sr.
Lázaro, e também de sua esposa que me pagou a passagem de ônibus
de Manaus para Boa Vista, a qual tive que fazer por dois
motivos: um por causa do tempo chuvoso e outra por causa da
revolta dos índios por ter sua reserva cortada pela estrada e
por isso eles poderiam me parar no meio da tomar minha bicicleta
e acabar com a minha viagem por ali. A
Deiquimar, uma emprensa que resolve problemas de
documentação de importação e exportação de todo e qualquer tipo
de mercadoria, a exportação mais comum éa de peixes de aquário e
peixes de consumo, legalizado pelo Ibama e a importação mais
comum é de matérias primas para as índustrias. E também da
Trigolar e da Friuba, são os
meus patrocínios locais e também consegui com o sr. Lázaro, o
apoio do Lyons Clube, uma possível
ajuda com hospedagem no meu percurso até Atlanta. Na
quarta-feira, o Diretor do Yázigi me capitalizou com a última
cota de patrocínio das Escolas Yázigi
e gravei entrevistas com o SBT,
Jornal Amazonas em Tempo, Jornal do
Norte e Diário do Amazonas.
No dia seguinte, sexta-feira dia
29 de março, meu último dia na capital amazonense, saquei o
dinheiro que me restava no banco e Sr.
Lázaro me levou para trocar meus Reais por Dólares e no
cãmbio, paguei R$1.01 por cada Dólar. No começo da noite, as
20:00 horas, horário de Manaus, tomei o ônibus para Boa Vista
com previsão de chegar na capital de Roraima pela manhã, onde
retomarei a bicicleta para continuar viagem rumo a fase
internacional do percurso.
DE MANAUS PARA BOA VISTA: embarquei no ônibus as 18:00 hrs
para Boa Vista atravessando a mata amozônica em período de
chuvas e até os primeiros 300 km eram asfaltados mas depois
foram de estrada de chão. Seria realmente muito difícil
atravessar de bicicleta os 700 km que separam as duas cidades
nessas condiçoes. Somente os ônibus de médio porte e altos do
chã fazem essa linha, porque a lama é tanta e os buracos também
que o ônibus quase virava de tanto balançar. Muitas pessoas de
vários lugares, inclusive estrangeiros, fazem essa viagem ou
melhor dizendo, aventura.
Por volta da
meia noite, em plena reserva indígena, encontramos pela
frente uma ponte de madeira quebrada e não pudemos
atravessar. Então o motorista nos avisou que esperaríamos
cerca de duas horas o ônibus que vinha de Boa Vista para
fazermos a troca passando a pé pela parte direita da ponte
que não estava quebrada.
A ponte tinha cerca de
50 metros e os dois ônibus um de cada lado iluminaram a
nossa passagem. Depois de atrevessarmos a ponte e também
o lamaçal, por volta das 3 da manhã, seguimos viagem sem
maoires problemas.
Quando amanheceu, cruzamos numa
pequena balsa com capacidade para dez carros conduzida por uma
potente lancha ao lado, o rio que divide o amazonas de Roraima.
Porém apenas chegamos em Boa Vista por volta das 16:00 hrs,
levando assim 22 horas para chegarmos em mosso destino.
DE BOA VISTA PARA CARACAS: fiquei duas noites num hotel pago
pelos Lions Clube.
Saí no dia 31 de março da capital de Roraima rumo a fase
internacional da viagem.
O sol estava quente, sem muita urbanização e com uma
paisagem seca A água do reservatório estava acabando
e a uns 15 quilômetros da parada para repouso, no km 100
da rodovia, encontrei uma casa ao lado de uma ponte com
alguns produtos para vender.
Aqui não encontrei água para beber, o casal dono da cantina, só
tinham refrigerantes, cervejas e salgadinhos, e tive que encarar
um refrigerante que não é bom para o meu preparo físico.
Havia um belo rio com águas límpidas e não pensei duas vezes,
dei um mergulho para aliviar o cansaço e o calor. Nisso
conheci dois moradores da região que estavam tomando banho
também, e um dos nossos papos foi a discussão da vantagem de
fazer a minha viagem de moto e não de bicicleta. Então eu
disse a eles que no caso da moto, a pessoa correria o risco de
ficar na estrada por problemas mecânicos enquanto que a
bicicleta seria mais difícil de acontecer algum problema que não
se possa resolver e que até agora ela não me deu dor de cabeça.
Pois bem, vejam só vocês, logo após a esta conversa, continuei
minha viagem, não esquecendo que eles quiseram me dar uma carona
até o quilometro 100, onde pretendia parar para repouso, mas
lógico, não aceitei. Tudo parecia estar perfeito, dali
faltavam apenas 15 quilômetros até a próxima parada, mas nos
primeiros 5 quilômetros, o eixo central da bicicleta foi pro
beleleu, as pecas se desgastaram repentinamente e tive que ir
empurrando a bicicleta até o meu destino do dia.
Chegando lá, a única coisa que encontrei foi um restaurante e
uma borracharia, a minha sorte é que eu tinha as pecas
para reposição, mas você pode não acreditar, mas e não sei fazer
a troca. Então pedi ao borracheiro, mas ele não tinha as
ferramentas adequadas para fazer o serviço. Ai eu me
pergunto : E agora, pra onde é que eu vou? Não havia nada
que se parecesse com uma oficina mecânica por perto, e a melhor
decisão naquele momento foi relaxar e armar minha barraca pela
13 vez no quintal da casa do borracheiro que me cedeu o
espaço e me convidou gentilmente para jantar com ele e sua
família, esposa e dois filhos. Durante
o jantar, eles me opinaram a tomar pela manhã um ônibus até
a fronteira, que lá eu encontraria uma oficina de
bicicleta. Não tive outra escolha, primeiro de abril,
07:30 hrs, peguei o ônibus e foram 140 km até ao município na
fronteira com a Venezuela. Chegando lá, encontrei a
oficina de bicicleta em uma casa de uma família e o seu zé que
fez o serviço, me convidou para almoçar em sua casa e ainda por
cima, não quis me cobrar pelo serviço. Mas mesmo assim fiz
questão de lhe dar ao menos dez reais por sua generosidade.
Enquanto ele fazia o conserto, aproveitei a sombra de uma
goiabeira em seu quintal e tirei uma bela de uma soneca. Dali comprei água potável e parti para a minha
primeira vez fora do pais, cruzando a fronteira por volta
das15:40 hrs, parecia que era um sonho, ou melhor, mentira, pois
era primeiro de abril. Até ali percorri um total de 6.390
km “em bicicleta”, e claro, registrei esta emoção.